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Era TikTok: prefeitos trocam gestão por likes e vídeos, enquanto problemas se acumulam

Era TikTok: prefeitos trocam gestão por likes e vídeos, enquanto problemas se acumulam

Na era das redes sociais, a imagem parece valer mais do que a realidade. Prefeitos, secretários e vereadores de diversos municípios têm dedicado cada vez mais tempo à produção de vídeos para o TikTok, Instagram e outras plataformas, na tentativa de mostrar uma cidade idealizada. Enquanto as câmeras gravam sorrisos e promessas, moradores convivem com buracos nas ruas, filas em postos de saúde e obras paradas.

Não se trata de condenar o uso das redes sociais – elas são ferramentas legítimas de comunicação com a população. O problema começa quando a busca por curtidas e compartilhamentos supera a obrigação básica do gestor público: administrar com responsabilidade, transparência e foco nas reais necessidades da população.

Como dizem alguns jornalistas experientes, o que se vê hoje é “muita mídia e pouca ação”. A produção constante de conteúdo dá a sensação de que tudo vai bem. Mas, nos bastidores, moradores enfrentam outra realidade – bem mais dura do que aquela pintada nos vídeos com trilhas sonoras alegres e filtros coloridos.

A crítica também recai sobre os aliados do governo. Muitos apoiadores, mesmo cientes dos problemas, preferem compartilhar os vídeos oficiais e feitos pelos prefeitos em suas redes sociais e reforçar o discurso otimista, ignorando os sinais de que a cidade pode estar caminhando para um cenário de abandono. O debate público, tão essencial em uma democracia, acaba sendo substituído por uma bolha digital de autoafirmação.

Além disso, especialistas apontam que muitos conteúdos compartilhados por prefeitos e gestores públicos não são totalmente fiéis aos fatos. Informações são omitidas, exageradas ou descontextualizadas, criando uma narrativa conveniente, mas distante da verdade.

A política do vídeo bonito não pode substituir a política pública de qualidade. A população precisa de investimentos reais, planejamento, escuta ativa e, principalmente, resultados concretos. Likes e visualizações não asfaltam ruas nem reduzem a fila de exames. É hora de lembrar que o papel do gestor vai muito além da câmera – e que a realidade não pode ser filtrada.

João Vianna

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