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Erro grave em maternidade: 11 bebês recebem antídoto contra veneno de cobra no lugar de vacina contra hepatite B em Canoinhas

Erro grave em maternidade: 11 bebês recebem antídoto contra veneno de cobra no lugar de vacina contra hepatite B em Canoinhas

Pelo menos 11 recém-nascidos receberam, por engano, soro antibotrópico – utilizado em casos de picadas de cobra – no lugar da vacina contra hepatite B, na maternidade do Hospital Santa Cruz de Canoinhas (HSCC), no Planalto Norte de Santa Catarina. O erro ocorreu entre os dias 9 e 11 de julho e veio à tona nesta segunda-feira (14), quando a Secretaria Municipal de Saúde foi oficialmente informada pela Regional de Saúde de Mafra.

Apesar da gravidade da situação, até o momento, nenhum dos bebês apresentou reações adversas. Eles estão sendo acompanhados pela equipe da Vigilância Epidemiológica de Canoinhas e por profissionais do hospital. Segundo nota divulgada pela Secretaria de Saúde do município, “a administração da vacina não é responsabilidade do Município, mas sim da equipe do hospital”. A pasta ainda reforçou que está monitorando os casos para garantir a segurança das famílias envolvidas.

O HSCC confirmou o equívoco por meio de nota assinada por seu advogado, Renato Mattar Cepeda. O documento informa que uma sindicância interna foi aberta para apurar a falha. “O Hospital adotou todas as medidas de assistência e acolhimento às famílias e aos recém-nascidos envolvidos, que vêm e serão monitorados de forma contínua por nossa equipe multidisciplinar”, diz o comunicado. O hospital reforça que nenhum dos bebês precisou ser internado e todos permanecem estáveis.

Segundo o Manual do Ministério da Saúde e a Anvisa, o uso indevido de soro antibotrópico pode causar reações como dificuldade respiratória, broncoespasmo, urticária, febre, calafrios e até queda de pressão – efeitos potencialmente mais perigosos em recém-nascidos, devido à imaturidade do sistema imunológico.

A prefeita de Canoinhas, Juliana Maciel Hoppe (PL), reagiu com indignação ao caso. Em vídeo divulgado nas redes sociais, anunciou a contratação de uma auditoria externa para investigar os procedimentos do hospital. “Não dá pra admitir que 11 bebês recém-nascidos tenham recebido soro pra picada de cobra no lugar da vacina contra a hepatite B. Precisamos entender com clareza e responsabilidade o que está acontecendo”, afirmou.

Juliana destacou ainda que, apesar de o hospital ser filantrópico e não pertencente à prefeitura, a unidade recebe mais de R$ 1 milhão mensais do município para custeio de atendimentos via SUS. “O Hospital Santa Cruz não é da prefeitura, mas o canoinhense é minha responsabilidade. E essa auditoria vai analisar cada atendimento prestado”, completou a prefeita.

A reportagem apurou que a aplicação equivocada foi realizada por uma enfermeira, que, segundo relatos de pais, demonstrou desespero ao perceber o erro. Informações que circularam nas redes sociais, como a possibilidade de rótulo trocado ou envio incorreto do soro pela Vigilância Epidemiológica, foram desmentidas pelo hospital. O soro permanece no estoque da unidade hospitalar e não é enviado de forma pontual.

Apesar das tentativas da reportagem, médicas pediatras que atuam no HSCC não responderam aos questionamentos sobre os riscos clínicos que a exposição ao soro pode representar a longo prazo.

O caso segue sob investigação interna, e novas medidas poderão ser tomadas conforme o andamento das apurações. Enquanto isso, as famílias aguardam explicações mais detalhadas e seguem monitorando a saúde de seus filhos.

Fonte Jmais

João Vianna

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