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Raio-X da Política

Raio-X da Política

28 Anos de Jornalismo, Rumores Políticos e o Limite Entre a Informação e a Pressão

Com 28 anos de atuação no jornalismo, seja em jornais impressos, rádios ou programas de entrevistas com transmissão online, sempre pautei meu trabalho pelo compromisso com a informação, pela responsabilidade com a verdade dos fatos e pela abertura ao contraditório. Nesse tempo, entrevistei desde agentes públicos locais até candidatos à Presidência da República. E, dentro dessa longa trajetória, sempre tratei com naturalidade e seriedade os rumores e especulações envolvendo trocas partidárias de prefeitos e lideranças políticas.

Noticiar possíveis movimentações partidárias nunca foi, nem é, um ato irresponsável ou gratuito. Ao contrário: sempre foi parte legítima do jornalismo político, ainda mais em anos eleitorais ou nos períodos que os partidos se organizam internamente. Em todos esses anos, nunca havia recebido um pedido para retirar do ar uma matéria desse tipo. Isso mudou ontem, para minha surpresa.

Mesmo contrariando tudo que aprendi na prática e na ética jornalística, acatei o pedido de retirada. O fiz por respeito, não por obrigação. Ressalto que a notícia retirada foi fruto de um trabalho sério, de apuração ao longo de um dia inteiro, ouvindo diferentes fontes, e não de qualquer invenção ou chute irresponsável. A apuração sobre convites para mudanças partidárias sempre existiu — e continuará existindo — como parte do processo democrático e da livre cobertura da política.

Cito, como exemplo, episódios já noticiados ao longo dos anos: Rubens Blaszkowski quando saiu do Democratas para o PSD, Tafarel que migrou do PSD para o PL, Tomazini que deixou o PSDB também rumo ao PL, entre outros que sequer trocaram de sigla, mas que também estiveram no centro de especulações — sempre noticiadas com responsabilidade. Alguns nomes, inclusive, se sentiram lisonjeados por estarem em evidência; outros preferiram se manifestar e, como sempre fiz, abri espaço para sua versão dos fatos em novas matérias.

Faço jornalismo com os pés fincados nos fundamentos da profissão, respeitando os limites da liberdade de imprensa e o direito de resposta. Sempre estive — e sigo estando — aberto ao diálogo, à correção de informações se necessário, e à construção de matérias esclarecedoras quando houver manifestação dos citados.

Informar com responsabilidade é a missão do jornalismo. Censurar, intimidar ou apagar fatos não é. E, ainda que respeite a decisão de retirar a matéria, ela não foi apagada da minha memória profissional como uma marca do que ainda precisamos amadurecer como sociedade: saber conviver com a livre imprensa — mesmo quando ela traz notícias desconfortáveis, mas verdadeiras.


João Vianna

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