Padre Pedro requer retirada do tarifaço de Trump de 50% ao mel catarinense
O deputado Padre Pedro Baldissera (PT) está propondo que a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprove moção de apelo ao Itamaraty e aos Ministérios da Indústria, Comércio e Serviços, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário para que negociem com a diplomacia dos EUA a retirada do mel do conjunto de itens que receberam a taxação de 50% a partir desta quinta-feira (7). Pelo menos 80% do mel produzido em Santa Catarina são exportados para os EUA.
“O ‘tarifaço de Trump’ tem causado muita preocupação às cerca de 18 mil famílias produtoras de mel de Santa Catarina, que são pequenos agricultores da agricultura familiar. O tarifaço também traz intranquilidade a algumas empresas responsáveis pela exportação do mel catarinense aos EUA, porque já tiveram compras canceladas”, disse Padre Pedro, que é coordenador da Frente Parlamentar da Apicultura e Mel da Alesc.
“Santa Catarina que tem um dos produtos mais premiados do mundo e é um dos estados que mais produz mel no Brasil, que exporta para o mundo inteiro, com certeza terá um impacto econômico muito grande. O mercado interno não absorve todo o mel produzido no Brasil, ou seja, a exportação é um dos principais fatores que fazem com que a apicultura, a produção do mel, seja geradora de renda para inúmeras famílias catarinenses”, explicou Padre Pedro.
A apicultura e a meliponicultura (cultura das abelhas sem ferrão), lembra Padre Pedro, representam não apenas uma importante atividade econômica para os pequenos agricultores de Santa Catarina, mas também uma estratégia fundamental para o meio ambiente, por sua relação direta com a preservação da biodiversidade, a polinização e o equilíbrio ecológico, especialmente em áreas de transição florestal e agrícola.
“É preciso também que todos tenham noção do absurdo que é esse tarifaço imposto ao Brasil por Donald Trump. Os EUA têm superávit comercial, ou seja, vendem mais do que compram, o que torna nulo o argumento do presidente americano que, na realidade, quis fazer pressão política ao Brasil, ultrajando as instituições nacionais, para proteger Bolsonaro de crimes que já estão em fase final de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal”, disse Padre Pedro.

