Debates e dúvidas sobre pavimentação em Santa Terezinha
Em Santa Terezinha, a relação entre os poderes Executivo e Legislativo, que deveria ser pautada pela autonomia e pela harmonia, deu sinais de possíveis desgaste durante a semana do aniversário do município. A ausência da prefeita Valquíria Schwarz na sessão da UCAVI, realizada na Câmara de Vereadores, foi interpretada como um reflexo da falta de sintonia entre os poderes locais.
O encontro era considerado um dos mais relevantes do ano, principalmente porque contou com a presença do secretário estadual de Infraestrutura, Jerry Comper, e do engenheiro Alexandre Schafer. Ambos apresentaram informações sobre o projeto de pavimentação asfáltica que ligará Santa Terezinha ao Planalto Norte.
Divergências sobre a obra
Na reunião, representantes estaduais deixaram claro que a Prefeitura pode estar cometendo um equívoco ao tentar executar por conta própria a obra de pavimentação. O engenheiro Alexandre Schafer alertou que, caso o município insista em levar adiante a iniciativa, poderá enfrentar problemas sérios no futuro. Segundo ele, nenhum engenheiro estaria disposto a assinar a estadualização da via depois que ela for pavimentada pela gestão municipal.
Além disso, Schafer ressaltou que o programa Estrada Boa Rural não foi criado para esse tipo de finalidade, o que reforça a preocupação de que a insistência da Prefeitura possa trazer prejuízos e entraves técnicos.
O papel da Câmara de Vereadores
Diante desse cenário, surge a questão: como a Câmara de Vereadores vai se posicionar? Os parlamentares irão apenas endossar as ações do Executivo ou buscarão respostas mais firmes junto ao governo estadual? O uso de recursos públicos está em jogo, e caso o município tenha que arcar com despesas que caberiam ao Estado, a responsabilidade recairá sobre ambos os poderes.
Santa Terezinha enfrenta múltiplas carências em infraestrutura, e a pavimentação é, de fato, uma prioridade. No entanto, o recurso do programa Estrada Boa Rural poderia ser aplicado em outras vias que se enquadram nas regras do programa. A situação torna-se ainda mais complexa porque, ao mesmo tempo, a Prefeitura iniciou a topografia para um novo projeto de pavimentação, enquanto o governo estadual já desenvolve outro projeto com o mesmo objetivo. Isso significa que o dinheiro do contribuinte está sendo gasto duas vezes para a mesma finalidade.
Necessidade de definição
Enquanto não houver cobranças mais incisivas, a população continuará sem respostas claras. O momento exige maturidade política e institucional. Uma comitiva formada por representantes da Prefeitura, da Câmara de Vereadores e de entidades organizadas do município deveria buscar diretamente a Secretaria de Infraestrutura do Estado para definir, de uma vez por todas, quem será responsável pela execução da obra.
O povo de Santa Terezinha espera soluções concretas, e não disputas políticas que apenas ampliam a sensação de incerteza. Mais do que uma questão técnica, o impasse sobre a pavimentação da ligação com o Planalto Norte expõe a necessidade urgente de cooperação entre os poderes locais e estaduais para que os interesses da comunidade prevaleçam.

