Vereadora Andriely cruza limites, expõe cidadão e criança e mancha última sessão do ano
Ataque, ironia e falta de decoro: discurso de vereadora causa polêmica em Santa Terezinha
O que era para ser uma sessão histórica e simbólica marcando o encerramento dos trabalhos legislativos de 2025 e a eleição do novo presidente da Câmara de Vereadores de Santa Terezinha acabou manchada por um episódio lamentável envolvendo a vereadora da base governista Andriely Okopniki PSD. Sua manifestação na tribuna, durante o uso da palavra livre, gerou forte repercussão negativa e levantou questionamentos sobre decoro parlamentar, preparo político e respeito aos limites éticos do cargo.
Ao invés de encerrar o ano legislativo com um discurso institucional e conciliador, a vereadora direcionou críticas pessoais ao munícipe Ilson Monczevski, que estava presente na sessão e havia feito uso da palavra para criticar as condições das vias do município uma pauta de interesse coletivo e absolutamente legítima dentro de um regime democrático. O problema não foi a divergência de ideias, mas a forma como ela foi conduzida.
Em tom visivelmente sarcástico e repleto de ataques pessoais, a vereadora tentou desqualificar o cidadão por não aderir a um projeto de coleta seletiva organizado por ela, chegando ao ponto de mencionar, de forma imprudente, o filho do munícipe, aluno de uma escola envolvida no projeto. Ao expor publicamente uma criança em um embate político, a parlamentar ultrapassou uma linha grave, ignorando princípios básicos do Estatuto da Criança e do Adolescente, além de ferir valores éticos mínimos esperados de um representante público.
A Câmara de Vereadores, historicamente conhecida como a “Casa do Povo”, não pode se transformar em palco de constrangimento público, tentativas de humilhação ou acerto de contas pessoais. Criticar políticas públicas é legítimo. Constranger cidadãos, especialmente utilizando vínculos familiares e envolvendo menores, não é.
Outro ponto que chamou atenção foi o discurso assumidamente alinhado e elogioso à prefeita Valquíria Schwarz. Em sua fala, a vereadora ironizou críticas ao afirmar que não se importa em ser chamada de “puxa-saco” da prefeita, reforçando publicamente seu papel de defensora incondicional da gestão. Embora fazer parte da base governista não seja um problema, a naturalização desse alinhamento acrítico levanta questionamentos sobre a independência do Legislativo e o real papel fiscalizador que se espera de um vereador.
Mais grave ainda foi a tentativa de inverter a lógica democrática ao responsabilizar cidadãos e comunicadores por “falar mal” do município ao expor problemas reais, como estradas precárias e falhas em serviços públicos. Criticar não é difamar; denunciar problemas não é torcer contra a cidade. Pelo contrário: apontar falhas é parte essencial da construção de soluções e do fortalecimento da gestão pública.
O uso da tribuna para atacar quem critica, rotular manifestações populares como busca por “Ibope” e tentar silenciar a participação cidadã demonstra um preocupante despreparo político. O mandato parlamentar não confere superioridade moral sobre o cidadão comum, tampouco autoriza constrangimentos públicos.
Ao final, fica a reflexão: o episódio não expôs apenas um conflito pontual, mas revelou uma postura incompatível com a responsabilidade de representar toda a população — inclusive aqueles que discordam. O respeito ao contraditório, à liberdade de expressão e à dignidade das pessoas não é favor, é obrigação.
Se a Câmara quer continuar sendo exemplo de união e maturidade institucional, como foi citada pela própria vereadora em seu discurso, atitudes como essa não podem ser normalizadas, relativizadas ou tratadas como mero “excesso de fala”. Democracia se constrói com diálogo, respeito e, sobretudo, limites.

