Prefeita Valquiria Schwarz comemora milhões, mas Santa Terezinha ainda espera resultados
Vereadores foram fundamentais para captação dos recursos
A prefeita de Santa Terezinha, Valquiria Schwarz (PSD), apresentou a prestação de contas dos recursos oriundos do Governo do Estado e de emendas parlamentares conquistadas ao longo do primeiro ano de mandato. O valor anunciado chega a quase R$ 16 milhões, sem considerar repasses diretos do Governo Federal apenas recursos intermediados por deputados federais. O número, repetido como troféu político, perde força quando analisado com mais atenção e está longe de resolver ou sequer amenizar as profundas carências estruturais do município.
O ritual de agradecimentos conduzido pela prefeita e sua equipe soou mais como tentativa de blindagem política do que como transparência efetiva. Em um município marcado por estradas precárias, gargalos na saúde e infraestrutura defasada, celebrar cifras enquanto os problemas seguem intactos, beira o descolamento da realidade.
O dado mais constrangedor da prestação veio do próprio partido da prefeita. Apesar de Valquiria ser filiada ao PSD, os deputados da sigla contribuíram com apenas R$ 1,1 milhão, valor irrisório frente ao total anunciado. Pior: R$ 580 mil desse montante vêm do PAC, programa federal, obtidos por meio do deputado Ismael dos Santos (PSD). Ou seja, o “apoio partidário” federal e estadual praticamente inexiste.
Na prática, quem salvou a narrativa foram parlamentares de fora do grupo político da prefeita. A movimentação dos vereadores junto a deputados de diferentes partidos foi decisiva para inflar os números. O campeão absoluto de repasses foi o deputado Oscar Gutz (PL), que sozinho destinou mais de R$ 2,5 milhões ao município, expondo ainda mais a fragilidade da articulação política da chefe do Executivo dentro da própria base.
Nas redes sociais, a prefeita afirmou que sua administração “abriu as portas para o diálogo” e buscou apoio em todas as esferas. O discurso é bonito, mas os números contam outra história: Santa Terezinha avança não por liderança política forte, mas por favores pontuais de parlamentares externos que atendem a solicitação dos vereadores, enquanto o protagonismo do Executivo municipal segue apagado.
Para completar o quadro, parte dos recursos anunciados ainda não foi paga. Três repasses do Governo do Estado continuam pendentes, embora já tenham sido licitados e possuam convênios e atas assinadas. Mesmo assim, entraram na conta como “conquistas”, inflando uma prestação de contas que, na prática, mistura dinheiro em caixa com promessas no papel.
A prefeitura informa que alguns valores já estão em execução e outros “serão aplicados ao longo do ano”, respeitando a burocracia dos convênios. Também promete novos recursos para 2026. Até lá, porém, o que fica é uma prestação de contas que mais revela do que esconde: muito discurso, pouca entrega concreta, sem grandes obras e uma dependência política que escancara a fragilidade da atual gestão diante dos desafios reais de Santa Terezinha.




