Raio-X da Política
Os bastidores, as entrelinhas e o que poucos têm coragem de dizer.
Mathias Nossol: a obra que esqueceu de andar
Quem passa pela Rua Mathias Nossol, em Serra Alta, já não mede o tempo em dias ou semanas. Mede em nível barro ou nuvens de poeira e promessas. A obra parece disputar uma corrida… com uma tartaruga mancando. Para quem mora no bairro, pouco importa se a culpa é da empreiteira, da Secretaria de Planejamento, da Secretaria de Obras ou da posição dos astros. No fim das contas, quem leva a bronca é o prefeito Joaquim Tomazini. Afinal, na política funciona assim: mérito tem muitos pais, mas atraso sempre encontra um único responsável.
Canteiros da discórdia
Os novos canteiros centrais da Avenida São Bento e já conseguiram um feito: dividir opiniões antes mesmo de a obra terminar. Tem quem diga que ficará bonito. Tem quem garanta que será um problema. Eu prefiro esperar a tinta secar antes de bater o martelo. A Transgrilo também tem canteiros e funciona muito bem. A diferença é que a Transgrilo não concentra o mesmo fluxo de veículos da principal avenida da cidade. Comparar as duas é quase como comparar bicicleta com carreta.
Quem manda afinal?
Nos bastidores, a conversa é sempre a mesma: “Tomazini perdeu o comando.” Não sei se perdeu. O que sei é que tem gente falando em nome do prefeito, decidindo pelo prefeito e até respondendo pelo prefeito, enquanto a oposição assiste de camarote. Quando aparecem muitos generais para poucos soldados, normalmente falta comandante no quartel.
Fake news de gabinete
Na quinta-feira, grupos de WhatsApp praticamente “exoneraram” o secretário de Educação, Josias Terrez. Fui conferir. Era mentira. Mas mentira, na política, raramente nasce sozinha. Geralmente alguém planta, outro rega e um terceiro espalha. Há tempos existe um grupo que gostaria de ver Josias fora da administração. Agora tentam misturar seu nome com a pré-candidatura de Terezinha Dybas à Câmara Federal, como se uma coisa anulasse a outra. Enquanto isso, quem deveria estar trabalhando para resolver problemas da população parece mais preocupado em fabricar intrigas.
Onde a política realmente acontece
Toda semana faço questão de passar pela Câmara de Vereadores de São Bento do Sul. É curioso. Muita gente acha que as decisões acontecem apenas no gabinete do prefeito. Nem sempre. Nos corredores da Câmara, entre um café e outro, costuma circular informação muito mais consistente do que muito comunicado oficial. Ali se descobre o clima político antes mesmo dele virar manchete.
Pré- candidatos
A região resolveu acordar. Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa aparecem Robson Calixto dos Reis (Novo), Emerson Maas (MDB), Tcharles Purim (PSDB), Jaciara Machuga (PT), Juliana Maciel Hoppe (PL), Silvio Dreveck (PP), Suelen Geremia (Republicanos) e Jefinho Chupel (PDT).
Já para Brasília despontam Terezinha Maria Dybas (PSD), Dr. Elói Quege (MDB), Allan Moreira (PSB) e Serginho Luiz Severino (PP). Ainda dependem das convenções partidárias, mas, pela primeira vez em muito tempo, o Planalto Norte deverá ter um cardápio eleitoral bem mais recheado.
Na Ilha, todo mundo vira amigo
Bastou começar o período de pré-campanha e Florianópolis virou ponto turístico obrigatório. Jefinho Chupel e Terezinha Dybas já apareceram na Capital reforçando laços com seus padrinhos políticos. Até porque, antes de pedir voto ao eleitor, é preciso garantir a bênção dos caciques. Na política, o nome aprovado na convenção vale mais do que GPS.
Cheiro de segundo turno
Ainda falta estrada até outubro. Mas quem acompanha os bastidores da eleição estadual já percebe um cenário bem diferente do que muitos imaginavam meses atrás. Há quem aposte em vitória no primeiro turno. Eu acredito num segundo turno cada vez mais provável. No fim, pesquisa faz barulho, comentário gera manchete, mas quem decide continua sendo o eleitor diante da urna.
Bênção nunca é demais
A visita do bispo Dom Adalberto Donadel Júnior a Santa Terezinha foi marcada por encontros com a prefeita Valquíria Schwarz e vereadores. Faltou apenas um detalhe. Alguém poderia ter levado o bispo até o início da pavimentação entre a sede e Rio da Anta. Nunca se sabe. Tem obra pública que parece precisar mais de água benta do que de ordem de serviço ou canetaço do estado. E se sobrasse um tempinho, uma passada por Craveiro também não faria mal a ninguém.
Dinheiro parado também rende ansiedade
Santa Terezinha possui recursos estaduais já garantidos, mas que devem começar a ser liberados apenas depois das eleições. O importante é que o dinheiro está empenhado. O lado ruim é que obra prometida e dinheiro parado costumam ser ingredientes perfeitos para alguns mal acabados fazerem discursos maldosos.
A conta que ninguém esperava
A ação judicial movida pelo ex-vice-prefeito Dr. Israel Olegário Moreira, cobrando mais de R$ 1,2 milhão do Município de Santa Terezinha, caiu como uma bomba na cidade. Israel sempre foi uma figura respeitada pela comunidade, justamente por sua atuação como médico. Por isso, a notícia causou surpresa até entre antigos apoiadores. Agora a discussão sai das rodas de conversa e entra definitivamente nos autos do processo. A Justiça fará seu trabalho. Enquanto isso, a política segue fazendo aquilo que sabe fazer melhor: transformar qualquer ação judicial em combustível para novos debates.
