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Tabagismo entre jovens de 16 a 24 anos supera média no país

Tabagismo entre jovens de 16 a 24 anos supera média no país

Jovens brasileiros de 16 a 24 anos lideram a incidência de tabagismo no país, com 19% de fumantes ativos, segundo pesquisa do Instituto A.C. Camargo Câncer Center em parceria com a Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o Brasil e mostrou índice acima da média nacional, de 17%.

A faixa de 25 a 40 anos aparece com o menor percentual, de 15%. Depois vêm os entrevistados com mais de 60 anos, com 16%, e os de 41 a 59 anos, com 17%.

Fumaça no dia a dia e risco cedo

Cerca de um terço da população brasileira, ou 33%, divide com frequência ambientes domésticos ou de trabalho com fumantes. A inalação passiva da fumaça aumenta as chances de câncer pulmonar, inclusive entre pessoas que nunca fumaram.

Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, disse que a incidência do tabagismo entre os jovens entre 16 a 24 anos exige atenção prioritária. Segundo ele, o primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos. Por isso, há risco alto de iniciação na dependência sem conseguir deixá-la depois, embora as demais idades também precisem de cuidado.

Quem fuma menos e quem fuma mais

Entre os ex-fumantes, quem tem mais de 60 anos lidera com 32%. Em seguida aparecem as pessoas de 41 a 59 anos, com 15%; as de 25 a 40 anos, com 10%; e as de 16 a 24 anos, com 8%.

O estudo também mostra diferença por região. O Sul tem o maior consumo de cigarro, com 22%, seguido pelo Sudeste, com 19%, e por Nordeste e Norte/Centro-Oeste, ambos com 13%.

A pesquisa também demonstra que o consumo de cigarros está atrelado a fatores socioeconômicos. Entre os entrevistados com renda salarial de até um salário mínimo, a taxa chega a 19%. Já entre os que concluíram apenas o ensino fundamental, o índice sobe para 21%.

Os dados ainda ligam o tabagismo a outros hábitos ruins. Entre os fumantes, 84% relataram manter até quatro comportamentos prejudiciais à saúde no cotidiano, como sedentarismo e ingestão exagerada de frituras e produtos ultraprocessados. Entre quem nunca fumou, 18% dizem não ter nenhum hábito prejudicial à saúde; entre os fumantes, esse grupo é de 9%. Os ex-fumantes lideram a categoria de apenas um hábito ruim, com 44%.

O cenário sugere que abandonar o cigarro costuma vir acompanhado de uma reestruturação ampla do estilo de vida, restando apenas um deslize residual na rotina.

Outro dado do estudo mostra que 63% dos fumantes classificam a própria saúde como “ótima” ou “boa”. O percentual supera o das pessoas que jamais fumaram, que ficou em 61%, embora a diferença esteja dentro da margem de erro.

*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior.

João Vianna

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