Raio-X da Política
Lambança e teimosia
O governo Tomazini (PL) vem se tornando protagonista de uma combinação que, na política, costuma custar caro: lambança e teimosia. Principalmente quando é questionado sobre alguma ação que pretende executar ou que já está executando. A prova disso está no episódio do cartão alimentação dos servidores públicos municipais. O sindicato alertou diversas vezes sobre a situação, mas, em vez de ouvir os argumentos e buscar uma solução, integrantes do governo partiram para cima dos representantes sindicais, como se o sindicato fosse responsável por todos os problemas do mundo. Quando a crítica chega, pelo jeito, a melhor estratégia é procurar um culpado. Resolver o problema fica para depois.
Mais lambança e teimosia
Outra demonstração está na Avenida São Bento. A insistência com os famosos canteiros já ultrapassou a simples discussão sobre uma obra e parece ter virado uma questão de honra. A impressão que fica é que o governo prefere sustentar a tese de que está certo e que o restante da cidade está errado. Talvez estejam apenas esperando aparecer uma desculpa elegante para desistir dos tais canteiros. Mas existe uma certeza: admitir que uma decisão pode ter sido equivocada parece ser muito mais difícil do que insistir nela até o último minuto.
Encheção de saco
Dentro da administração municipal, há quem enxergue as cobranças como mera “encheção de saco”. Só esqueceram de combinar isso com a população. Muitas das cobranças feitas ao governo têm fundamento, são baseadas em fatos e surgem justamente de quem vive diariamente os problemas da cidade. Não são palavras jogadas ao vento nem críticas feitas por esporte. E política tem uma característica curiosa: o tempo passa rápido. Daqui a dois anos, se pouca coisa mudar, será o momento de perguntar se essa maneira de governar realmente deu certo. Aí não adianta colocar a culpa na imprensa, na oposição, no sindicato ou nas redes sociais. A conta chega. E chega para quem governa e quem esta no governo.
Dr. Tirso
O vice-prefeito Dr. Tirso Hummelgen (UB) sempre defendeu o planejamento estratégico como ferramenta fundamental para que o dinheiro público seja bem aplicado e para melhorar a vida da comunidade. E, convenhamos, Tirso certamente sabe onde estão algumas das falhas da administração. O problema é que, na política, saber onde está o problema não significa necessariamente ter a caneta para resolvê-lo. Se dependesse exclusivamente dele, talvez alguns dos “mal-acabados” que ainda circulam pelos corredores do governo já tivessem recebido um cartão vermelho. Mas quem manda, manda. Quem aconselha, aconselha. E quem bate o martelo… bom, esse é outro departamento.
Gabinete do ódio
Nos bastidores da política de São Bento do Sul, há quem sustente que integrantes de um verdadeiro “gabinete do ódio” trabalharam nos últimos tempos para afastar desafetos e adversários do grupo governista. Entre os nomes que passaram a ocupar esse espaço está o da ex-vereadora e candidata a deputada federal Terezinha Dybas (PSD). Nos bastidores, a leitura de alguns políticos é de que teriam ocorrido movimentos para reduzir seu espaço dentro da política local. Depois, quando Terezinha decidiu disputar uma vaga na Câmara Federal, o clima teria ficado ainda mais pesado, especialmente diante das diferenças com setores do PL. Na política, ninguém precisa de inimigo declarado quando existem aliados trabalhando nos bastidores.
Gabinete do ódio II
E Terezinha não seria a única pessoa a circular na lista de desafetos dessa turma. O presidente da Câmara de Vereadores, Gilmar Pollum, e o secretário de Educação, Josias Terres, também são apontados nos bastidores como nomes que não desfrutariam exatamente de prestígio junto a determinados setores do grupo político do PL. É aquela velha história: em política, às vezes o problema não é estar na oposição. É estar perto demais do poder e pensar diferente.
Redes sociais
As redes sociais viraram uma verdadeira fábrica de informações algumas corretas, outras nem tanto. Todos os dias aparecem páginas no Facebook e no Instagram distribuindo certezas sobre assuntos que seus próprios autores mal conhecem. O problema não é ter opinião. Todo mundo tem direito a ela. O problema é transformar opinião sem fundamento em notícia e especulação em verdade absoluta. Felizmente, São Bento do Sul ainda conta com meios de comunicação que procuram checar os fatos antes de sair compartilhando qualquer história que aparece em um grupo de WhatsApp. Jornalismo sério não precisa agradar governo, oposição ou candidato. Precisa apenas buscar a verdade, doa a quem doer.
Candidatos
Alguns candidatos precisam lembrar que eleição é eleição. Se existe alguma discussão ou investigação envolvendo o STJ ou outros órgãos, que os responsáveis façam seu trabalho. Candidato deveria estar preocupado em apresentar propostas, conquistar votos e explicar ao eleitor o que pretende fazer por Santa Catarina e pela nossa região, pois sem o mandato não adianta nada espernear. Ficar transformando assuntos em palanque eleitoral pode até render curtidas, mas não necessariamente rende votos. O eleitor quer saber de saúde, educação, segurança, infraestrutura, emprego, estradas e recursos para os municípios. No final das contas, discurso vazio não pavimenta estrada.
Olimpíadas Papanduvenses
Enquanto alguns gastam energia nas brigas políticas, outros tentam olhar para a comunidade. Na Câmara de Vereadores de Papanduva, o vereador Cristiano Matoso (PL) chamou atenção para a necessidade de reforçar a sinalização e a segurança no trevo rotatório localizado ao lado do Mercado Drosdeck, buscando prevenir acidentes na região. O vereador também apresentou a Indicação nº 0182/2026, sugerindo a realização das Olimpíadas Papanduvenses, com diversas modalidades esportivas e a integração entre bairros e comunidades do interior. Uma ideia que merece atenção. Afinal, investir no esporte é também investir na juventude e na convivência comunitária.
Não se posicionou
Até agora, o PSD de Santa Terezinha não se posicionou publicamente de maneira clara sobre quais candidatos está apoiando nesta eleição. A própria prefeita Valquíria Schwarz também não teria manifestado uma preferência pública, o que pode ser uma estratégia para manter a neutralidade política diante dos diversos recursos que o município recebeu. Enquanto isso, vereadores do PSD já demonstram apoio a candidatos de outras siglas. E há ainda o caso do ex-presidente do partido, Nelson Filippi, que deixou a presidência da legenda para apoiar candidatos de outras siglas. Na política, quando cada um começa a puxar para um lado, o partido corre o risco de ficar exatamente no meio do caminho.
A dúvida que fica?
Será que o PSD vai se tornar um partido cada vez menor em Santa Terezinha, mesmo tendo quatro vereadores e comandando a Prefeitura? Ou será que, até as próximas eleições municipais, alguns dos atuais detentores de cargos eletivos estarão procurando uma nova legenda para chamar de casa? Porque uma coisa é certa: 2028 já está logo ali. E na política, quando a próxima eleição começa a aparecer no horizonte, muita gente começa a descobrir que fidelidade partidária é uma palavra bonita principalmente até surgir um convite de outra legenda com uma narrativa convincente.

