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Eleições em SC: polarização e segurança dominam disputa

Eleições em SC: polarização e segurança dominam disputa

A corrida pelo comando do Executivo catarinense consolidou um ambiente de forte atrito político e intensa repercussão do debate nacional. O que começou com um tom moderado na propaganda eleitoral rapidamente deu lugar a embates diretos, nos quais divergências ideológicas, atuação policial, demandas estruturais e a articulação com Brasília ditaram o ritmo dos confrontos entre os concorrentes.

Favoritismo e ofensivas contra a gestão atual

Na condição de candidato à reeleição e apontado como favorito pelas pesquisas da Quaest contratadas pela NSC, Jorginho Mello (PL) esteve no centro dos ataques adversários diante da possibilidade de definição do pleito já no primeiro turno. As contestações mais enfáticas partiram de João Rodrigues (PSD), ex-prefeito de Chapecó, e do empresário e ex-deputado estadual Gelson Merísio (PSB), que aparecem como segundo e terceiro colocados nas sondagens.

Com índices inferiores a 2% na preferência do eleitorado, Professor Marcus Sodré, Marcelo Brigadeiro (Missão), Laís Chaud (Unidade Popular), Ralf Zimmer (PRD) e Bruno Pedreiro (PCO) também utilizaram seus espaços para contestar o governo vigente e apresentar alternativas. Conforme levantamento divulgado pela Quaest no final de setembro, as principais inquietações do cidadão em Santa Catarina recaem sobre a saúde (29%), seguida por infraestrutura (15%), violência (10%), enchentes (8%) e educação (6%).

O reflexo das forças federais no tabuleiro catarinense

A correlação com a política nacional gerou movimentos estratégicos no estado. Apoiado formalmente pela presidência da República, Merísio buscou consolidar sua guinada à esquerda — após ter apoiado o bolsonarismo no pleito de 2018 e atuado como coordenador da candidatura de Décio Lima (PT) em 2022.

Por outro lado, Jorginho Mello sustentou seu alinhamento integral com a família Bolsonaro, aproveitando a força política de um estado onde Jair Bolsonaro alcançou 69% dos votos no segundo turno presidencial de 2022. Já João Rodrigues promoveu uma mudança de rumo: após construir campanha ao lado do governador goiano Ronaldo Caiado, abandonou a aliança partidária para declarar voto em Flávio Bolsonaro.

Além das simpatias partidárias, a capacidade de negociar repasses com a União foi cobrada enfaticamente durante os debates. Postulantes como Merísio, Rodrigues e Zimmer frisaram que manter uma interlocução institucional aberta com o governo federal é indispensável para viabilizar obras e investimentos em Santa Catarina.

Tensão policial e pauta da violência contra a mulher

A temperatura da disputa subiu expressivamente após vir à tona a gravação de um episódio ocorrido em 13 de setembro, no qual a advogada e candidata a suplente ao Senado Fernanda Klitzke (PT) foi derrubada, agredida e alvejada com balas de borracha por policiais militares.

O episódio gerou duras críticas de Merísio contra a conduta da Polícia Militar e serviu de gancho para alertar sobre as estatísticas de feminicídio e agressões contra o público feminino no estado. Jorginho Mello, em contrapartida, tratou o caso como uma armação da oposição contra a corporação, mas sustentou que os fatos deveriam ser investigados. A ocorrência ampliou a discussão pública sobre efetivo policial, câmeras corporais e enfrentamento à violência de gênero.

Projetos de infraestrutura e trocas de acusações

No terreno das propostas, Mello destacou o programa rodoviário “Estrada Boa”, a construção do “Via Mar” na região litorânea e a manutenção preventiva de barragens diante de fenômenos climáticos como o El Niño. Outras frentes mencionadas pelos candidatos abrangeram a duplicação de estradas vitais para o escoamento produtivo do Oeste, o término da fila de espera por cirurgias eletivas, avanços em saneamento e o acolhimento à população em situação de vulnerabilidade nas ruas.

Apesar das promessas programáticas, a reta decisiva foi marcada pelo resgate de episódios pessoais e controvérsias do passado. Os debates finais incluíram acusações sobre negociações imobiliárias ligadas ao filho do atual governador, a repercussão da morte do cão Orelha e citações a episódios anteriores da trajetória de Rodrigues, elevando o nível de animosidade às vésperas da votação.

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