Raio-X da Política
Polarizou
As urnas deixaram um recado incontestável: o eleitor brasileiro comprou o bilhete da radicalização. O confronto direto entre o bolsonarismo e o lulismo varreu o centro democrático do mapa, reduzindo partidos históricos a meros espectadores de um ringue ideológico. Quem tentou vender ponderação acabou atropelado. A direita largou em clara vantagem nas bancadas legislativas e governos estaduais, mas o custo dessa divisão é alto: transformou-se o debate público em trincheira de torcidas organizadas.
2º Turno
Enquanto os articuladores nacionais montam estratégias de sobrevivência para o segundo turno presidencial, em Santa Catarina o xadrez estadual consolidou a força avassaladora de Jorginho Mello (PL), que atropelou as urnas e confirmou a hegemonia da direita no estado. Ao deixar Gelson Merisio (PSB) a uma distância oceânica, o resultado catarinense não apenas reflete o isolamento da esquerda no Sul, mas impõe um alinhamento quase automático das lideranças locais ao projeto liberal-conservador.
Onda 22
Em São Bento do Sul, o PL local soube capitalizar com maestria a maré alta. A eleição de figuras de forte apelo ideológico, como Zé Trovão (PL) para a Câmara Federal amparado pela ala governista do partido, e Julia Zanatta (PL), que despontou com votação recorde no estado teve o presidente da Câmara, Gilmar Pollum, a frente de sua campanha no municipio. O resultado ainda estendeu seus tentáculos para a Assembleia Legislativa, elegendo nomes como Juliana Maciel e Maurício Peixer. Resta saber: esse capital eleitoral vai se traduzir em obras e emendas para a região ou apenas em palanque ideológico?
PCdoB
Em um estado que se orgulha de ostentar o título de bastião do conservadorismo radical, a votação expressiva de Giovana Mondardo (PCdoB), superando a casa dos 114 mil votos, provocou calafrios no meio tradicional. O fenômeno mostra que, mesmo sob o massacre da polarização, parte do eleitorado ainda premia a combatividade, o carisma e a consistência programática individual, passando por cima da fobia partidária que domina o estado.
Capital político
Em meio à gritaria dos extremos, Terezinha Dybas (PSD) adotou uma postura cirúrgica ao longo de sua campanha para deputada federal. Enquanto o debate descambava para slogans rasos, Dybas focou em propostas e transparência. Não levou a vaga, mas colheu frutos: consolidou musculatura política local e carimbou seu nome como figura central e competitiva para o pleito municipal.
Popularidade em xeque
Nem a vitória confortável dos seus aliados estaduais foi capaz de disfarçar o desgaste político do prefeito Antonio Tomazini. O reflexo das urnas não limpa o desgaste acumulado na gestão municipal: a aprovação segue ladeira abaixo e a sensação nas ruas é de letargia. Com dois anos pela frente e um cenário de isolamento técnico, a perspectiva de recuperação parece remota. O cenário desenha menos uma reação administrativa e mais o início melancólico de uma aposentadoria política compulsória.
À moda americana
O Brasil caminha a passos largos para reproduzir a lógica bipartidária norte-americana, dividida entre Republicanos e Democratas. Por aqui, a disputa entre a direita e esquerda descambou para a intolerância pura: famílias desfeitas, amizades rompidas e casamentos desfeitos no altar da ideologia. Quando a política passa a valer mais do que os laços humanos, a democracia perde sua substância e se converte em fanatismo cego.
Lição de casa
Jeferson Chupel (PDT) sai deste pleito com saldo positivo. Sem os cofres cheios das grandes máquinas partidárias, o pedetista apostou na presença de base, no aperto de mão e na escuta atenta com destaque para sua atuação em Papanduva. Chupel provou que densidade política não se compra apenas em pacote de mídia; constrói-se no chão da comunidade.
O valor do cuidado
Em meio ao fogo cruzado das eleições, Papanduva viveu um momento de grandeza cívica e humana no último dia 2 de outubro. Os 40 anos da APAE não representam apenas um marco cronológico, mas quatro décadas de compromisso inegociável com a dignidade e a inclusão das pessoas com deficiência. Um evento que reuniu toda a comunidade para lembrar que a verdadeira política se mede pela capacidade de proteger os mais vulneráveis.

DNA eleitoral
Os irmãos Luiz Eduardo e Luiz Henrique Saliba mostraram peso em Papanduva ao coordenarem diretamente a campanha vitoriosa da deputada estadual eleita Juliana Maciel (PL). Luiz Eduardo, com histórico de liderança à frente do PP, provou que ainda tem densidade e fôlego para influenciar o xadrez municipal com vistas às próximas disputas majoritárias. Trata-se de uma força tradicional que não aceita ser colocada como coadjuvante.
Entrega de resultados
Em Monte Castelo, o prefeito Sirineu Ratochinski confirmou que sabe transferir votos. Ao conduzir vitoriosamente no municipio as campanhas de Paulinha e Lucas Neves à Alesc, além de marchar forte com o projeto estadual governista, Ratochinski garantiu uma linha direta com a Assembleia e o Executivo catarinense. O prefeito cumpriu seu papel de cabo eleitoral com louvor; agora, os deputados eleitos terão de pagar a fatura em investimentos para a cidade.
Xadrez em Santa Terezinha
A prefeita Valquíria Schwarz entra em um período decisivo de sua gestão. Com quatro deputados eleitos com representatividade direta na sua região nenhum deles filiado à sua legenda, Valquíria precisará exercer diplomacia pragmática em alto grau. Sua declaração precoce de apoio ao governador Jorginho Mello foi o primeiro movimento correto; o segundo será costurar pontes suprapartidárias com as bancadas eleitas.
A cobrança das urnas
Santa Terezinha não tem espaço para vaidades ou rivalidades eleitoreiras. O município acumula demandas históricas em infraestrutura, saúde e fomento econômico que exigem verbas vultosas do caixa estadual e federal. As articulação das lideranças locais não falhar em trazer os deputados eleitos para a mesa de compromisso, o custo desse isolamento recairá, como de costume, nas costas do cidadão.
