Douglas Ruas tem impacto limitado para Flávio Bolsonaro no RJ, avaliam aliados
O recém-eleito governador do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), que assumiu o comando do estado ainda no primeiro turno após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que invalidou os votos de Anthony Garotinho, terá margem estreita de atuação para impulsionar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no território fluminense.
Independência eleitoral no reduto fluminense
Conforme avaliação de aliados do postulante ao Planalto, o senador teve 695 mil votos a mais que Ruas no estado, evidenciando que o “filho 01” de Jair Bolsonaro “tem vida própria no Rio” e não necessita do novo chefe do Executivo estadual para funcionar como seu principal cabo eleitoral na nova etapa da disputa.
Apesar disso, interlocutores da campanha destacam que a conquista do governo fluminense logo na etapa inicial, ocorrendo no terceiro maior colégio eleitoral brasileiro, injeta fôlego político na corrida presidencial e debilita as investidas do presidente Lula na região.
Desconhecimento popular e força no interior
Mesmo tendo chegado ao Palácio Guanabara impulsionado pelo capital político do bolsonarismo e carregando um histórico de baixa familiaridade com o eleitorado, Ruas registrou forte desempenho longe da capital. O candidato superou o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) ao triunfar em 79 dos 92 municípios do estado, desempenho que pode servir de apoio para ampliar o eleitorado do candidato do PL em território fluminense.
Nas urnas, Ruas acumulou 4,2 milhões de sufrágios, superando os 3,7 milhões de Paes. Enquanto isso, Flávio alcançou 4,9 milhões de apoios no berço político da família.
O baixo reconhecimento inicial do governador foi documentado por pesquisas ao longo de toda a corrida eleitoral. Em levantamento da Quaest divulgado em 23 de setembro, 41% dos consultados ainda declaravam não conhecer o atual chefe do executivo estadual. O índice de desconhecimento havia sido de 59% em agosto e de 53% nos primeiros dias de setembro.
Cenário estratégico na região Sudeste
A região Sudeste concentra os maiores eleitorados da nação — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — e figura como prioridade máxima para os dois lados na disputa do segundo turno.
Comparando com o primeiro turno de 2022, quando Jair Bolsonaro enfrentou Lula, a base governista registrou avanço no território fluminense, enquanto o atual presidente apresentou retração. Naquele pleito, Jair Bolsonaro obteve 4,8 milhões de votos no estado, contra 3,8 milhões de Lula. No último domingo, Flávio superou a marca do pai em 135.598 votos, alcançando 4,9 milhões de válidos, ao passo que Lula registrou uma queda de 154.122 votos em relação à eleição anterior.
