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Alunos de Criciúma transformam lixo eletrônico em arte na Alesc

Alunos de Criciúma transformam lixo eletrônico em arte na Alesc

Peças de computadores obsoletos, cabos em desuso e componentes que seriam descartados no meio ambiente ganharam um novo propósito pelas mãos de jovens catarinenses. A exposição Da Sucata à Crítica reúne trabalhos produzidos por estudantes da instituição Bairro da Juventude, de Criciúma, ocupando o Espaço Cultural Cruz e Sousa, no primeiro piso do Palácio Barriga Verde, em Florianópolis.

Transformação de resíduos em reflexão visual

Fruto das turmas dos cursos de eletroeletrônica e programação, a iniciativa nasceu na disciplina de criatividade e sustentabilidade. Sob a coordenação do professor Macsuel de Bona, graduado em história e arquitetura e urbanismo e ex-aluno da entidade, os estudantes converteram teclados, fios e placas de circuito em manifestações artísticas que abordam o consumo desenfreado e o impacto socioambiental da era digital.

De acordo com o orientador, “o projeto permite uma abordagem artística e crítica sobre problemas contemporâneos, como o descarte de resíduos eletrônicos e os impactos causados por guerras e conflitos em várias partes do planeta, com a proposta de ser um manifesto humanizado sobre as vítimas desses processos”.

Crítica aos conflitos armados e ao jogo de interesses

Entre as peças expostas, destacam-se criações que denunciam a dor das disputas armadas e as estruturas de poder. Os estudantes Nikison Silvério Luiz, de 17 anos, e Emanuely Cristiny Francioni, de 16, participaram da montagem de três obras centrais: O Alvo, focada em conflitos no continente africano; Jogo de Tabuleiro, que retrata disputas de interesses econômicos; e Obrigado por Morrer, inspirada nas condecorações concedidas a famílias de soldados mortos.

A experiência também modificou a percepção dos próprios alunos durante a produção. “No início, fiquei meio sem empolgação, mas depois abriu, virou a chave”, diz Nikison, sobre o efeito do processo criativo. “Eu não me interessava muito, de repente comecei a ver a criação de outro modo”, concorda Emanuely.

A originalidade na escolha dos insumos também chama a atenção. Restos e tocos de lápis de cor foram empregados na confecção de Arsenal do Conhecimento, escultura em formato de metralhadora desenvolvida por Miguel Cardoso da Silva, de 22 anos, ao lado dos colegas John Henrique André e Vítor Lopes Adão. “É uma obra autoexplicativa”, diz Miguel, prestes a concluir a formação técnica em programação.

Ação social e circuito itinerante

Localizado no Bairro Pinheirinho, em Criciúma, o Bairro da Juventude atende diariamente 1,6 mil crianças e jovens em período integral, contemplando desde o berçário até a formação profissional para pessoas de até 21 anos, a maioria em situação de vulnerabilidade social.

“Somos uma ONG apontada como referência no Brasil, viabilizada por muitas parcerias, que atende crianças e jovens em tempo integral, com atividades em turnos de manhã, tarde e noite”, explica o coordenador Márcio Cichella de Souza.

Para o curador Macsuel, “a exposição evidencia o protagonismo dos estudantes e a capacidade de transformar o conhecimento tecnológico em uma ferramenta de expressão, com obras repletas de significados e interpretações que, com criatividade, instigam o público a uma reflexão crítica sobre o mundo contemporâneo”.

Antes de chegar à sede do Legislativo catarinense, a mostra foi exibida na própria instituição de ensino e em um shopping de Criciúma. O cronograma itinerante ainda prevê uma temporada na Associação Comercial e Industrial de Criciúma (Acic).

Serviço da exposição

A visitação segue aberta ao público até o dia 28 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. As peças estão instaladas no Espaço Cultural Cruz e Sousa, localizado no acesso aos gabinetes do Anexo Deputado Epitácio Bittencourt, dentro da sede da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

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