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Áudios revelam estratégia de Janones para blindar Lula nas redes

Áudios revelam estratégia de Janones para blindar Lula nas redes

Uma intensa articulação digital foi deflagrada nos bastidores das redes sociais para conter os reflexos de acusações contra o governo federal na reta final da disputa eleitoral. Mensagens e orientações enviadas pelo deputado federal André Janones mobilizaram milhares de militantes para tentar sufocar a repercussão da entrevista de Roberta Luchsinger à CNN Brasil, na qual a lobista teceu duras críticas e prometeu delação premiada.

Articulação em tempo real no WhatsApp

O epicentro da estratégia ocorreu no canal Exército do Lula, comunidade no WhatsApp com mais de 5,1 milhões de inscritos gerida pelo parlamentar. Durante a exibição da entrevista na televisão, Janones utilizou mensagens de voz para comandar os ritmos da tropa digital, intercalando picos de postagens com pausas estratégicas.

Em um dos momentos de intervalo, o parlamentar orientou os participantes da ação coordenada: “Vou dar dois minutinho aqui pra cês parar e tomar uma água, ir no banheiro.” Na sequência do mesmo áudio, ele cronometrou o próximo passo: “20h57 eu mando a próxima hashtag”.

Pedidos de silêncio e recado à imprensa aliada

A preparação da militância começou antes mesmo de a entrevista ir ao ar. André Janones gravou um aviso formal direcionado a veículos alinhados ao campo governista, solicitando que o conteúdo não fosse amplificado nas principais redes sociais.

Pela transcrição do áudio, o deputado declarou: “Se vocês forem fazer a parte jornalística de vocês, claro, isso aqui é um pedido, eu não dou ordem pra ninguém (…) Façam lá no site de vocês, divulguem a matéria (…) não tragam nem pro Instagram, nem pro TikTok, nem pro Facebook, nem pro Kwai (…) Veículos de imprensa progressista, tudo bem, vocês têm a parte jornalística, vocês têm o dever de informar, mas não precisa trazer pras redes sociais, não. Fechou?”.

Além da imprensa, os próprios simpatizantes foram instruídos a não interagir ou debater sobre o episódio. O parlamentar recomendou expressamente que os seguidores ignorassem o tema: “Cê não vai nem ler a matéria”.

Corrida por engajamento no X

Assim que o programa começou na emissora, o canal passou a enviar ordens sequenciais para alavancar expressões específicas no X (antigo Twitter). Avisos como “AGORA É OFICIAL! SENTIRAM O GOLPE!!!! Kkkkkkkkkkk”, “SUBAM ESSA”, “AO ATAQUE” e “AVANTE TROPA” marcaram o tom da convocação.

Para manter o engajamento contínuo, Janones fez apelos emocionais ao grupo: “Pessoal, brinco muito, mas agora falando muito sério, eu sei que cês tão cansado, mas guenta mais um pouquinho aí. Eu sei o que eu tô fazendo e sei o porquê que eu tô pedindo pra cês aguentar mais um pouquinho aí, tá? Esforce aí só mais um pouquinho, que a gente tá quase vencendo essa guerra”.

Ele ainda prometeu gratificações futuras pela lealdade nas postagens: “Pela primeira vez, cês vão ter uma recompensa no final dessa, dessas batalha, tá? Tão fazendo bonitinho, direitinho (…) Continua firme aí, falta só uma horinha”. Segundo a administração do canal, uma das mensagens de voz alcançou a marca de 3,7 milhões de reproduções.

Impacto nos tópicos e o cenário eleitoral

A ofensiva surtiu efeito momentâneo nas métricas da plataforma, posicionando hashtags favoráveis ao petista e termos de incentivo entre os tópicos mais comentados da seção de política no final da noite.

A mobilização foi organizada em resposta às declarações de Roberta Luchsinger, alvo de apurações da Polícia Federal sobre descontos irregulares em aposentadorias do INSS. Na entrevista, ela chamou o presidente de “grande mentiroso”, disse que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, esteve “inúmeras vezes” com autoridades ministeriais e garantiu que seu acordo de colaboração judicial não poupará “filho de presidente”.

O chefe do Executivo nega proximidade com a investigada e já se referiu a ela como “pilantra”. Integrantes da Esplanada e o senador Camilo Santana também refutaram as acusações apresentadas. O episódio acirra a disputa política a poucos dias da definição presidencial de segundo turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro.

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