Fim da escala 6×1 pode custar 27 mil vagas em SC
O avanço da proposta que altera a jornada de trabalho no país acendeu o sinal de alerta entre empresários e lideranças econômicas. Um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC) estima que a extinção da escala 6×1 pode provocar o corte de até 27 mil empregos com carteira assinada apenas no setor terciário catarinense.
Impactos econômicos e pressão sobre o consumo
A preocupação do setor produtivo não se limita ao encerramento de postos de trabalho. De acordo com a Fecomércio SC e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a medida acarretará um aumento expressivo nas despesas operacionais dos estabelecimentos.
Como consequência direta do encarecimento das atividades, os representantes patronais apontam para o risco de pressão inflacionária sobre produtos e serviços, o que tende a corroer a renda real e o poder de compra da população.
Críticas à tramitação no Senado Federal
A reação das entidades ocorre após a votação favorável, em dois turnos, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019 no plenário do Senado Federal. As instituições criticaram a condução da matéria durante o calendário eleitoral, apontando que temas com reflexos profundos na dinâmica socioeconômica nacional não deveriam ser instrumentalizados politicamente.
Embora reconheçam a legitimidade das discussões voltadas ao bem-estar e às condições de vida dos trabalhadores, Fecomércio SC e CNC sustentam que transformações dessa envergadura demandam rigor técnico, diálogo institucional amplo e análise detalhada dos efeitos sobre a competitividade empresarial, com ênfase nas áreas de turismo, comércio e serviços.
Negociação coletiva como caminho alternativo
Diante do cenário de incertezas, as entidades defendem que a flexibilização e o formato das jornadas de trabalho sejam definidos preferencialmente por meio de negociações coletivas entre sindicatos laborais e patronais. Para as lideranças empresariais, o diálogo setorial direto permite contemplar as particularidades de cada atividade produtiva e as disparidades econômicas de cada região, garantindo estabilidade no mercado de trabalho e segurança jurídica para investimentos futuros.
