Fim da escala 6×1 pode fechar 640 mil vagas, alerta federação
A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o modelo de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os atuais salários, provocou forte reação de entidades empresariais. A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL/SC) manifestou preocupação pública sobre os reflexos financeiros e sociais da proposta, apontando riscos diretos à sustentabilidade dos empregos formais nos segmentos de comércio e serviços.
Prejuízos bilionários e pressão sobre a inflação
De acordo com estimativas apresentadas pelo setor produtivo, a alteração estrutural nas regras trabalhistas trará impactos severos para a economia nacional. Projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que a medida pode elevar as despesas operacionais em até R$ 267,2 bilhões, provocando um repasse médio de 6,2% aos preços repassados aos consumidores.
No setor terciário, o cenário desenhado é ainda mais desafiador. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam:
- Aumento de até 13% nos preços de produtos e serviços;
- Retração estimada de 3,2% no volume de vendas;
- Corte de 1,7% nos postos de trabalho, o que equivale a 640 mil demissões potenciais;
- Queda aproximada de R$ 88 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB).
Elevação de custos e impacto nas pequenas empresas
A entidade lojista ressalta que fixar uma jornada máxima de 40 horas sem redução de remuneração encarece a hora trabalhada em 10%. O maior gargalo recai sobre os pequenos negócios, que contam com margens estreitas de lucro e não possuem capacidade de caixa semelhante à de grandes corporações para absorver despesas adicionais.
Outro ponto criticado é a imposição de um formato uniforme para atividades econômicas distintas. Segundo o posicionamento institucional, a proposta desconsidera o princípio constitucional que prioriza os acordos e convenções coletivas, impedindo que cada segmento encontre soluções adequadas à sua própria rotina operacional.
Reflexos fiscais e efeito em cascata
Além da perda de competitividade e da eventual migração de trabalhadores para o mercado informal, a federação alerta para o desgaste das contas públicas. Com a provável desaceleração nas vendas e a contração do emprego, a arrecadação tributária tende a diminuir em um período que exige rigor fiscal, gerando pressões adicionais sobre o endividamento do Estado, juros e carga de impostos.
Orientações para o comércio
Diante do avanço da pauta legislativa, a recomendação enviada aos empregadores é de planejamento imediato. A entidade sugere que os gestores façam um diagnóstico minucioso da jornada de suas equipes, elaborem simulações orçamentárias e busquem assessoria contábil e jurídica antes de aplicar qualquer reorganização nos quadros de funcionários, prevenindo passivos e garantindo a continuidade das operações.
