SC prevê investir R$ 450 milhões em merenda escolar em 2026
A rede pública estadual de ensino terá um reforço expressivo na qualidade das refeições oferecidas aos estudantes. Por ocasião do Dia Nacional da Alimentação na Escola, celebrado em 21 de outubro, o Governo do Estado anunciou uma estimativa de aplicação superior a R$ 450 milhões na merenda para o ano letivo de 2026. A quantia representa um incremento de R$ 30 milhões em comparação aos R$ 420 milhões aplicados ao longo de 2025.
O foco do orçamento ampliado é assegurar pratos equilibrados e adaptados às necessidades biológicas de cada faixa etária, considerando também o tempo de permanência dos alunos nos colégios e as particularidades de cada microrregião.
“Estamos cuidando da aprendizagem do nosso estudante como um todo. Isso passa por salas de aula climatizadas, escolas renovadas e equipadas, bem como pela qualidade da alimentação escolar. A merenda impacta diretamente no desenvolvimento desses estudantes, por isso é importante investir na qualidade do que é servido. E nos últimos anos já vemos a melhora na variedade de alimentos e preparos, inclusive aproveitando a produção local aqui de Santa Catarina nos cardápios”, destaca o governador Jorginho Mello.
Critérios técnicos e presença diária de frutas
Para estruturar as compras institucionais e assegurar a qualidade sanitária e nutricional dos pratos, a Secretaria de Estado da Educação (SED) conta com uma equipe técnica formada por mais de 100 nutricionistas. O trabalho segue rigorosamente as diretrizes fixadas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
“As necessidades nutricionais dos estudantes estão entre os principais critérios para a elaboração dos cardápios. Para isso, é feita uma adequação das refeições à faixa etária e às necessidades específicas dos alunos. Também é levada em consideração a jornada escolar, com a quantidade de refeições refletindo o tempo de permanência na escola, inclusive nas unidades de tempo integral. A qualidade dos alimentos é outro fator crucial, com produtos in natura ou minimamente processados ganhando prioridade”, explica a secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta.
Na prática, o planejamento prioriza alimentos ricos em fibras, redução de sódio, gorduras e açúcar, além da distribuição diária obrigatória de frutas em todos os turnos escolares, complementadas por legumes, verduras, grãos e proteínas variadas.
“Essa alimentação é de suma importância para o desenvolvimento das crianças no processo de ensino e aprendizagem. A merenda vem como uma forma de complementar a alimentação de casa, onde muitas vezes, em função do trabalho, da rotina das famílias, essa é uma oportunidade única para os alunos nutrirem seu corpo e a sua mente”, ressalta a diretora da EEB José Boiteux, Ione Catarina Felette.
Estímulo ao campo com R$ 30 milhões para pequenos produtores
A aquisição de insumos também desempenha papel estratégico na economia do estado. Cerca de R$ 28 milhões já foram injetados diretamente na compra de gêneros da agricultura familiar, com a meta de alcançar R$ 30 milhões no fechamento do ciclo. Essa logística foi estruturada por meio de 11 chamadas públicas promovidas pela SED, conectando a demanda das unidades escolares a 33 cooperativas e trabalhadores rurais autônomos.
Com essa política de abastecimento, Santa Catarina já bateu, em outubro, a marca de 45% dos repasses do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) revertidos aos pequenos produtores rurais. A medida garante o fornecimento de itens frescos como mel de abelha, verduras colhidas no entorno das unidades, morango, tangerina, uva e pitaia. O modelo valoriza ainda a cultura gastronômica local, distribuindo a todas as regiões o pinhão descascado originário da Serra catarinense.
Projetos pedagógicos e hortas nas escolas
Aliada à oferta de alimentos de qualidade no refeitório, a rede desenvolve ações contínuas de Educação Alimentar e Nutricional (EAN), presentes atualmente em 78,69% dos colégios estaduais. As iniciativas integram o currículo escolar de forma interdisciplinar para conscientizar sobre escolhas conscientes e evitar o desperdício.
“Gosto muito da alimentação daqui da escola e também das cozinheiras, que fazem tudo com muito amor e carinho para nós”, conta a estudante do 6° ano, Fiorela Puerta Guapa.
Como ferramenta prática de aprendizado, a implantação de hortas escolares permite que as turmas participem de todas as fases da produção vegetal, desde a semeadura até a colheita, aumentando o interesse e a aceitação de hortaliças no cardápio cotidiano.
