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Pesquisadora critica regras da Anvisa para uso da polilaminina

Pesquisadora critica regras da Anvisa para uso da polilaminina

A pesquisadora Tatiana Sampaio usou as redes sociais para criticar as restrições impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril ao uso compassivo da polilaminina, proteína voltada para o tratamento de traumas raquimedulares. Segundo ela, as novas exigências criaram uma situação de desespero para quem necessita do procedimento de forma urgente, dificultando o acesso à terapia experimental.

Novas regras e restrições

Anteriormente, pessoas com lesões de até três meses podiam receber a liberação do órgão regulador para o uso da substância. Com as mudanças, a autorização passou a valer apenas para casos em que o trauma ocorreu em até três dias e esteja situado entre as vértebras T2 e T10, na região torácica. “Com as novas restrições, poucas pessoas conseguem cumprir”, diz Tatiana.

A cientista também atribuiu as alterações a pressões externas exercidas por críticos, cientistas, influenciadores e veículos de imprensa que questionavam a eficácia do produto desenvolvido a partir de proteínas da placenta humana. “Alguns tentavam achar erros no nosso trabalho. Outros diziam que a polilaminina era um golpe de mídia. Eles conseguiram criar uma controvérsia em volta da polilaminina. O nosso trabalho não tem erros nem falhas metodológicas. Eu desafio qualquer pessoa a me enfrentar em um debate público”, afirma a cientista.

Posicionamento da Anvisa e dados de segurança

A Anvisa justificou a decisão tomada em abril apontando o registro de óbitos entre os pacientes que receberam a aplicação da proteína modificada. Informações confirmadas com o Laboratório Cristália, responsável pelo desenvolvimento do produto, indicam que nove dos 119 pacientes que receberam a substância fora de estudos clínicos faleceram desde fevereiro, embora a farmacêutica garanta que nenhuma morte teve relação com o uso da proteína.

Em nota oficial, o órgão regulador destacou que a indicação do uso compassivo defendida pela pesquisadora difere da proposta apresentada pela empresa e informou que nenhum pedido de alteração foi protocolado na agência até o momento. “Ao contrário do que afirma a pesquisadora, não há dados de segurança confiáveis até o momento. Os pacientes submetidos ao uso da substância sequer estão sendo acompanhados pela empresa ou pela pesquisadora”, diz a Anvisa, em nota. O texto aponta ainda que, apesar do aval concedido em janeiro de 2026, os ensaios clínicos oficiais ainda não foram iniciados.

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