Gilberto Kassab aponta isolamento da direita na Câmara dos Deputados no governo Lula
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a direita vai ficar isolada na Câmara dos Deputados durante o novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi concedida durante a exibição do programa Canal Livre, da Band, no domingo (1).
Cenário na Câmara dos Deputados
Questionado pela jornalista Thays Freitas sobre a possibilidade de um Congresso hostil forçar uma guinada do governo ao centro, o dirigente descartou a premissa e classificou o raciocínio como “uma leitura errada”. Em seguida, justificou: “A esquerda ficaria isolada se o presidente fosse o Flávio. Ou você acha que num governo Lula esses partidos de centro não vão se esforçar pra ser governo?”.
Diante da observação de um dos entrevistadores de que legendas centristas já demonstram proximidade com o Palácio do Planalto, Kassab reforçou: “Já tão batendo na porta”.
O dirigente ressaltou que a Câmara detém forte influência sobre o Poder Executivo, “inclusive na promoção de impeachment”, mas ponderou que o chefe do Executivo “não terá dificuldades” na Casa. “O Flávio presidente, he teria, assim, uma maioria esmagadora e a esquerda ficaria isolada. O Lula presidente, eu acho que é o inverso”, argumentou. Na mesma transmissão, dados apontaram o PL com 121 assentos, formando a maior bancada federal.
Força da direita e desafios no Senado
Apesar de prever isolamento legislativo, Kassab reconheceu que o campo conservador emergiu fortalecido do pleito. Na avaliação do dirigente, o movimento atual supera em proporção a direita do período de Paulo Maluf e é superior ao patamar observado nos quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro. “Mas ela vai ficar isolada na Câmara”, ponderou.
No tocante ao Senado Federal, o cenário apresenta maiores obstáculos para o governo federal. Pelos cálculos apresentados, faltam apenas 13 assentos para o PL alcançar a maioria absoluta, apoio que poderia vir de parlamentares conservadores de outras legendas. Contudo, Kassab ponderou que, em uma administração sem Flávio Bolsonaro na chefia do Executivo, nem todos os congressistas liberais “têm essa visão de enfrentamento com o Lula como presidente”.
Lula assegurou a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial realizado em 25 de outubro.

