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Manoel Dias é velado na Alesc após morrer aos 88 anos

Manoel Dias é velado na Alesc após morrer aos 88 anos

Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho e um dos fundadores do PDT, morreu aos 88 anos na noite de sábado (22), em Florianópolis, e foi velado nesta segunda-feira (24) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, onde familiares, amigos, companheiros de partido e lideranças políticas se despediram dele. O prefeito Topázio Neto decretou 3 dias de luto.

Internado havia cerca de 3 semanas no Hospital Baía Sul, em Florianópolis, ele deixou mais de 60 anos dedicados à política e à defesa da democracia. A cerimônia reuniu autoridades estaduais e nacionais e marcou a despedida de uma figura histórica do trabalhismo catarinense.

Da cassação ao Ministério do Trabalho

Natural de Içara, no Sul de Santa Catarina, Manoel Dias começou a carreira política em 1962, quando foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Depois, teve o mandato cassado e ficou 11 meses preso como preso político. Em 1966, foi eleito deputado estadual pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e exerceu mandato na 6ª Legislatura da Alesc, entre 1967 e 1971.

Em 1968, após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), teve os direitos políticos suspensos por 10 anos. Mais tarde, em 1980, participou da fundação do PDT ao lado de Leonel Brizola e outras lideranças históricas. Em 2013, assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego no governo Dilma Rousseff e permaneceu no cargo até outubro de 2015.

Família fala em legado e sofrimento

O filho Marcelo Dias disse que o pai deixou como principal marca a defesa das camadas mais pobres, dos trabalhadores e da construção de um país mais justo. “Gratidão” e “orgulho”, afirmou ele, resumem o sentimento da família. Marcelo também disse que Manoel soube conciliar a vida pública com a dedicação aos parentes.

“Todas as pessoas que conviveram com ele durante a vida inteira sabem do carinho e da paixão que ele teve pela vida. Ele deixa muito bons exemplos para nós, familiares, e para a sociedade. Trabalhou em prol da grande maioria e sempre quis o bem de toda a população”, afirmou.

Ele também lembrou a convivência com Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e outros nomes ligados à história do PDT. “Eu participava às vezes, ainda pequeno, e dormia ao lado escutando as conversas deles. Tenho muitas lembranças desses momentos. Eles sempre defendiam uma postura única, uma mesma linha de pensamento”, contou.

Marcelo disse ainda que o pai foi um defensor das mulheres e das classes mais pobres. “Ele sempre foi um defensor das mulheres e das classes mais pobres. Veio de uma classe muito humilde, conseguiu vencer na vida e nunca escondeu isso. Sempre buscou resgatar e fomentar a qualidade de vida para toda a população”, destacou.

Sobre a passagem pelo governo federal, ele afirmou: “Foi uma coroação da carreira política que ele teve. Nem sempre as pessoas que merecem têm a oportunidade de estar lá, mas ele teve essa oportunidade de fazer pela população que sempre defendeu”. Marcelo citou ainda a implantação da Carteira de Trabalho Digital e outras ações voltadas aos trabalhadores e à modernização dos serviços públicos.

Nos últimos meses, Manoel Dias conviveu mais perto da família depois do AVC sofrido em 2025. “Ele ficou com a família, ainda com muito carinho, dando amor para a gente, reconhecendo e abraçando. Aproveitamos esse último ano para uma despedida bastante longa, mas muito prazerosa, com muito amor”, relatou o filho.

Dalva Maria de Luca Dias também falou sobre o marido. “Palavras são insuficientes para descrever quem ele foi, pela sua generosidade, pela sua paciência, por saber perdoar as pessoas e por não guardar mágoas. Ele foi uma grande liderança e, principalmente, teve uma grande fé no Brasil e no seu povo”, afirmou.

“Quero aproveitar este momento para agradecer às pessoas que estão aqui conosco, convivendo com esse momento de dor, mas também de alegria, porque sei que ele está em um lugar melhor. Ele estava sofrendo demais”, declarou.

Alesc abre exposição sobre sua trajetória

A família recebeu manifestações de solidariedade de lideranças políticas de diferentes regiões do Brasil. Em Florianópolis, Topázio Neto decretou 3 dias de luto pela morte de Manoel Dias. Durante esta semana, o Centro de Memória da Assembleia Legislativa recebe uma pequena exposição dedicada à trajetória do ex-ministro do Trabalho.

A mostra reúne elementos ligados ao período em que ele atuou como deputado estadual e preserva parte da memória política dele no Parlamento catarinense.

João Vianna

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