Estados Unidos encerram presença militar no Iraque após duas décadas
O governo dos Estados Unidos deve concluir a retirada de seus últimos efetivos militares do Iraque, marcando o encerramento de mais de 20 anos de operações contínuas no território iraquiano desde a invasão de 2003 que derrubou Saddam Hussein.
Contexto histórico e o acordo de 2024 A decisão atual cumpre um pacto estabelecido entre Washington e Bagdá para encerrar a Operação Resolução Inerente, que combateu o grupo Estado Islâmico. No ápice do conflito, em 2007, o país chegou a abrigar mais de 170.000 soldados norte-americanos, número que despencou drasticamente nos últimos anos para cerca de 2.400, concentrados principalmente na região curda.
“Essa retirada foi acordada com o governo iraquiano anterior, visto que a missão de derrotar o EI atingiu seu objetivo no Iraque”, afirma Safwan Al-Amin, pesquisador sênior não residente da Iniciativa Iraque no centro de estudos Atlantic Council, em Washington (EUA).
Pressão política e fatores de segurança Além do cumprimento dos objetivos militares contra o extremismo, pesaram na decisão as constantes exigências políticas internas pela preservação da soberania iraquiana e o aumento dos riscos operacionais decorrentes de conflitos regionais.
“Alguns governos iraquianos, pressionados por facções pró-Irã e por partes da comunidade majoritariamente xiita, têm exercido pressão… para garantir que essas forças deixem o país”, diz Silliman, atual presidente do Instituto dos Estados Árabes do Golfo, em Washington, à BBC.
Legado e perspectivas futuras As avaliações sobre o impacto de duas décadas de intervenção estrangeira dividem especialistas, que apontam desde avanços na liberdade política até o fortalecimento da influência iraniana e persistentes problemas de corrupção.
“Os EUA continuam a exercer uma influência considerável devido à dependência do Iraque das receitas petrolíferas em dólares. Bagdá também depende de Washington para a compra de armamento e para apoio diplomático na gestão das suas relações com os vizinhos da região”, afirma.


