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Menopausa altera proteínas no sangue e liga alerta para Alzheimer

Menopausa altera proteínas no sangue e liga alerta para Alzheimer

A fase de transição para a menopausa provoca modificações em proteínas sanguíneas que guardam relação direta com o envelhecimento cerebral e com a vulnerabilidade ao Alzheimer. O achado científico foi divulgado na conceituada revista Nature Medicine e aponta oscilações em rotinas biológicas de inflamação, metabolismo e sinapses neuronais.

Metodologia e o perfil das participantes

Conduzido por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, o levantamento inicial acompanhou 80 mulheres com idades entre 43 e 58 anos em diferentes estágios da menopausa, além de um grupo de controle composto por 36 homens. Dentre as 118 moléculas proteicas avaliadas, 16 apresentaram concentrações mais altas após o término do ciclo menstrual, fator que se mostrou mais dependente das taxas hormonais do que da idade cronológica.

As oscilações catalogadas revelaram forte correlação com a queda do estradiol — o principal estrogênio do organismo — e com a alta do hormônio folículo-estimulante (FSH). Além disso, voluntárias que enfrentavam ondas de calor e suores noturnos exibiram maiores taxas de substâncias inflamatórias circulantes.

Validação dos dados e impactos cognitivos

Para validar as descobertas, o grupo analisou uma coorte maior com 2.814 mulheres vinculadas ao UK Biobank, no Reino Unido. Essa etapa confirmou que os perfis proteicos modificados indicavam um envelhecimento biológico sistêmico e cerebral mais acentuado nas voluntárias pós-menopausa.

Em seguida, o cruzamento de dados com quatro grupos de mulheres mais velhas, totalizando quase 12 mil participantes, demonstrou que pontuações elevadas nessas proteínas coincidiam com desempenhos inferiores em testes de memória e raciocínio.

Risco específico para demência

O monitoramento de longo prazo em uma subamostra com mais de 11 mil mulheres, acompanhadas por quase 16 anos, indicou que o padrão proteico observado eleva a probabilidade de desenvolvimento de demência por Alzheimer. No entanto, os especialistas ressaltam que tal correlação se mostrou de proporção reduzida e sem relevância estatística para quadros de demência vascular ou frontotemporal.

Apesar dos avanços na compreensão dos impactos da meia-idade na cognição futura, os autores reforçam a necessidade de investigações de longo acompanhamento contínuo para mapear com precisão os mecanismos biológicos envolvidos e projetar novas estratégias de proteção à saúde neurológica feminina.

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