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Médica relata diagnóstico tardio de câncer de ovário avançado

Médica relata diagnóstico tardio de câncer de ovário avançado

A endocrinologista Mari Cançado, de 58 anos, conviveu com sinais leves e persistentes por cerca de oito meses antes de receber o diagnóstico de um câncer seroso de alto grau em estágio 4B. Na época, a doença já havia se espalhado para o fígado, o peritônio e o diafragma, exigindo uma reviravolta completa em sua rotina dividida entre a família, a profissão e os cuidados com a mãe.

O impacto do diagnóstico tardio

O acúmulo de sintomas cotidianos, como cansaço excessivo, má digestão, alterações intestinais e dores lombares, parecia apenas reflexo de uma rotina exaustiva. A confirmação da malignidade só ocorreu após uma biópsia motivada pelo aparecimento de um linfonodo aumentado e um episódio de herpes-zóster.

De acordo com Jacqueline Menezes, cirurgiã oncológica e diretora nacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), os indícios iniciais do tumor ovariano costumam ser confundidos com distúrbios digestivos. A especialista reforça que não há um método de rastreamento comprovadamente eficaz para reduzir a mortalidade entre mulheres sem sintomas e sem risco aumentado.

O peso emocional e a busca por tratamento

Diante da gravidade do quadro em estágio avançado, a principal motivação da médica era acompanhar o crescimento dos filhos. Queria viver! A vida é nosso bem maior. Queria ver meus filhos se tornarem adultos, se formarem como pessoas…, conta.

Após passar por cirurgia e sessões de quimioterapia, Mari enfrentou o retorno da enfermidade. Quando houve a recidiva, meu mundo caiu novamente. O medo da morte veio forte, relata sobre o período em que a doença voltou a ameaçar sua estabilidade.

Terapia-alvo e investigação genética

Uma reviravolta no prognóstico aconteceu quando exames identificaram uma mutação no gene BRCA2, permitindo o uso de uma medicação oral baseada em inibidores da PARP. Jacqueline Menezes explica que a identificação ajuda a orientar o tratamento e, quando a alteração é herdada, também permite avaliar familiares. No câncer de ovário, algumas pacientes podem receber medicamentos chamados inibidores da PARP, que interferem no reparo do material genético das células tumorais.

A descoberta da mutação levou parentes a realizarem exames preventivos. Um dos filhos e uma sobrinha apresentaram a mesma alteração genética e agora contam com acompanhamento médico especializado.

Sintomas de alerta e recomendações

Levantamentos da SBCO mostram que a maioria dos registros da doença já chega aos hospitais nas fases mais avançadas. Especialistas recomendam atenção a sinais como inchaço abdominal persistente, saciedade precoce, alterações intestinais e dor pélvica.

Atualmente em remissão após oito anos de uso contínuo de terapia-alvo, a médica faz um alerta para outras mulheres valorizarem os sinais do próprio organismo: Não posso dizer que estou curada, mas a doença está controlada com o uso da medicação oral. Ela conclui aconselhando: E caso não receba a atenção necessária, insista. Se necessário, procure outra opinião.

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