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Governos da nova direita na América do Sul apostam em ajuste fiscal

Governos da nova direita na América do Sul apostam em ajuste fiscal

A ascensão de administrações conservadoras na América do Sul tem sido acompanhada por expectativas do mercado financeiro em relação a cortes drásticos de despesas estatais. Analistas econômicos frequentemente utilizam o modelo argentino como parâmetro para projetar o rigor fiscal de eventuais gestões alinhadas a essa corrente política na região.

Plano de ajuste fiscal na Colômbia Na Colômbia, a administração comandada pelo advogado e político Abelardo de la Espriella prepara o envio ao parlamento de um programa de recuperação econômica que prevê uma redução de despesas da ordem de US$ 14 bilhões, o equivalente a 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2027. Caso seja implementado, o corte representará uma contração de gastos sem precedentes na história recente do país em um único período anual.

Para o ano seguinte, as projeções oficiais indicam que o esforço fiscal alcançará 4,5% do PIB, combinando enxugamento da máquina pública e elevação na arrecadação. No entanto, a viabilidade dessas medidas esbarra em um parlamento nacional fragmentado, o que dificulta a aprovação das reformas propostas pelo executivo.

Crise nas contas públicas colombianas O cenário econômico exige celeridade por parte das autoridades devido à deterioração dos indicadores fiscais. Em setembro, a projeção para o déficit de 2026 foi revista para 7,2% do PIB, enquanto a proposta orçamentária para 2027 apontou um rombo potencial de 9,4% do PIB, impulsionado também por despesas extraordinárias decorrentes de um terremoto registrado em agosto.

Mesmo com a eventual aprovação do pacote de cortes, o país sul-americano precisará buscar captação de recursos no exterior para equilibrar o orçamento. Diante disso, uma comissão técnica foi enviada a Washington com o objetivo de negociar linhas de financiamento junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O precedente argentino de Javier Milei O modelo de ajuste severo tem como principal referência a experiência conduzida por Javier Milei na Argentina a partir de 2023. O governo argentino herdou um déficit primário de 2,9% do PIB e conseguiu reverter o quadro para um superávit primário de 1,8% do PIB ao término de 2024.

Essa guinada fiscal foi obtida por meio de uma retração real de 30% nos gastos do governo central, o que incluiu cortes em repasses financeiros para as províncias e na concessão de subsídios aos setores de transporte e energia elétrica. Como reflexo dessas medidas, a inflação apresentou forte queda e a moeda nacional se valorizou.

Consequências sociais e aprovação do mercado Em contrapartida ao equilíbrio das contas públicas, as políticas de austeridade extrema provocaram graves consequências sociais, com a taxa de pobreza na Argentina alcançando quase 53% da população em 2024, antes de recuar para o patamar atual de 32,3%.

Diante de cenários econômicos inicialmente críticos, os novos governos da nova direita na América do Sul adotam um receituário comum baseado em reformas fiscais profundas e de curto prazo. O objetivo central dessa estratégia é obter o aval e a confiança dos investidores internacionais em troca de promessas de estabilidade futura.

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