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Estudantes da UFSC tentam proibir palestra de Júlia Zanatta e Paulo Kogos

Estudantes da UFSC tentam proibir palestra de Júlia Zanatta e Paulo Kogos

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) iniciou uma mobilização para impedir a realização de uma palestra da deputada federal Júlia Zanatta (PL) e do influenciador Paulo Kogos. O evento está agendado para o dia 17 de novembro, às 18h, no Auditório da Reitoria, localizado no campus de Florianópolis.

Protestos e acusações contra os palestrantes

Em um vídeo divulgado pelo DCE nas redes sociais, uma aluna convocou os colegas para o ato e declarou: “barrar esse evento”. A estudante acrescentou que, “depois de vencer o fascismo nas urnas”, o momento é de combatê-lo “nas ruas e dentro da universidade”, complementando: “Gente, isso é um absurdo, é nojento, é desprezível ter um evento desse dentro da universidade”.

Na mesma gravação, a representante estudantil rotulou Kogos de “negacionista científico” e classificou a parlamentar como “racista”. A acusação contra a deputada faz referência a uma comemoração com um relho realizada após o pleito. Júlia garantiu a reeleição em outubro com 560.223 votos, estabelecendo o recorde histórico para a Câmara dos Federais em Santa Catarina, e celebrou a vitória utilizando o objeto em alusão à expressão regional “foi de relho”.

Exigências do movimento estudantil e organização do evento

Por meio de uma nota oficial assinada em conjunto com o Coletivo Negro da História, o DCE demanda o veto à atividade e a extinção do núcleo acadêmico responsável pelo convite. A estudante argumenta que os organizadores “já convidaram outros fascistas, outros neonazistas” para o espaço de ensino. Para traçar os próximos passos, o grupo convocou uma reunião na sede do DCE com o intuito de articular uma “ação coordenada” na data da palestra e instituir um comitê antifascista composto por estudantes, docentes, servidores técnicos e trabalhadores terceirizados com o objetivo de “transformar a UFSC num território antifascista”.

A programação é promovida pelo Núcleo Rothbard de Estudos em Escola Austríaca (Nurea), um projeto de extensão universitária aberto ao público. A pauta prevê que Kogos discurse sobre as ideias do pensador Mário Ferreira dos Santos sob o título “Libertarianismo Tropical”, enquanto a parlamentar abordará o tema “Armando a Liberdade”. O encerramento contará com uma mesa conjunta que inclui Guilherme Colombo (PL), marido da deputada.

Histórico de embates políticos na instituição

O campus da capital catarinense acumula episódios recentes de polarização política. Em novembro de 2025, Paulo Kogos participou de outra atividade acadêmica no auditório do Espaço Físico Integrado (EFI). Naquela ocasião, o DCE realizou protestos externos que culminaram na ocupação da Reitoria e na publicação de notas de repúdio subscritas por 16 centros acadêmicos.

Além disso, a UFSC tem sido cenário recorrente para atos do campo progressista. Em outubro, a Praça da Cidadania abrigou manifestação pró-Lula com parlamentares do PSOL e do PCdoB. Meses antes, o próprio Auditório da Reitoria sediou o lançamento de um seminário ministerial com a presença de integrantes do governo federal e do reitor Amir de Oliveira.

Reações e posicionamentos oficiais

Diante da polêmica, o professor Rafael Ary, docente do Departamento de Artes e presidente do diretório municipal do partido Novo em Florianópolis, utilizou as redes sociais para cobrar um posicionamento da gestão universitária, publicando um vídeo com o apelo: “Reitor da UFSC: não permita censura”. Nos comentários da postagem, a deputada federal ironizou a movimentação contrária: “Nossa, ela quer acabar até com o núcleo de estudos 😂”.

Paulo Kogos também se manifestou digitalmente para desmentir um cartaz adulterado que circulou alterando o foco do debate de libertarianismo para terraplanismo. Até o fechamento desta reportagem, a Reitoria da UFSC não havia emitido nenhum comunicado oficial a respeito da solicitação protocolada pelo diretório estudantil.

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