Sex shop em Camboriú acumula prejuízo após calotes no fiado
A prática tradicional de confiar na palavra dos clientes e autorizar compras a prazo sem garantias tem gerado grandes dores de cabeça para empreendedores em Camboriú, no Litoral Norte catarinense. A facilidade concedida para pessoas próximas acabou resultando em mercadorias levadas, faturas pendentes e cobranças ignoradas.
Calcinha personalizada e dívidas acumuladas no sex shop
Proprietária de um comércio voltado a artigos eróticos no município, a empresária Ketlyn Borges enfrenta dificuldades para reaver mais de R$ 1 mil em produtos adquiridos fiado. Conforme a lojista relata, a maioria dos itens deixados sem acerto financeiro não se enquadra em necessidades básicas, mas sim em artigos supérfluos voltados a momentos íntimos. “É o famoso ostentar sem ter como pagar”, disse.
O caso mais emblemático enfrentado por Ketlyn envolve uma mulher com quem mantinha relação de proximidade há anos, por intermédio da tia do marido. Em diversas ocasiões, a cliente retirou produtos como baby dolls, artigos eróticos e até mesmo uma peça íntima personalizada com o nome de um parceiro. “Ela comprou calcinha com o nome do macho”, resumiu Ketlyn.
A devedora apresentava justificativas frequentes para adiar o pagamento, recorrendo até ao próprio filho como argumento para protelar a quitação. “Nunca vi você querer comprar um produto erótico, uma calcinha com o nome de um homem e o cara não poder te ajudar a pagar. É complicado”, afirmou a comerciante.
Exposição na internet revelou novas vítimas
Diante do impasse prolongado, Ketlyn optou por relatar a inadimplência em suas redes sociais. A publicação gerou uma repercussão inesperada, motivando mais de dez moradores a entrarem em contato relatando episódios semelhantes com a mesma compradora. Entre as pessoas lesadas estaria uma idosa que, segundo as denúncias, vendeu uma scooter há dois anos para a mulher e jamais recebeu os valores devidos.
Como os estoques precisam ser repostos com pagamento integral e imediato junto aos fornecedores, a falta de liquidez afeta diretamente a operação do negócio. “Gente, se vocês estão vendo isso, por favor, paguem as suas contas, paguem as suas calcinhas, paguem o seu sex shop, porque aqui nada cai do céu. A gente compra mercadoria à vista. Então, por favor, gente, solta o Pix”, pediu a lojista.
Prejuízos também atingem estúdio de tatuagem
O problema de inadimplência no comércio local não é isolado. A comerciante Gabrielly Carolina, que atua na área de tatuagem e piercing em Camboriú, enfrenta um cenário financeiro ainda mais expressivo ao ceder serviços e produtos fiado. O total anotado em seus registros manuais alcança quantias substanciais. “A gente tem um caderno que só no caderno, fora o que a gente parou de contar, tem 15 mil em prejuízo”, contou.
Além da perda financeira, Gabrielly aponta que o momento da cobrança costuma gerar constrangimentos e posturas defensivas por parte dos devedores. “Tá devendo pra ti, ainda parece que é tu que tá devendo pra ela”, afirmou a profissional.
Para Ketlyn, a lógica do consumo consciente deveria prevalecer antes de se assumir compromissos voltados ao prazer sem ter a devida condição orçamentária. “Se quer ter uma noite boa, pelo menos tem que ter dinheiro pra bancar.”
