Promessa do vôlei brasileiro chega à seleção após carona com pai caminhoneiro
Com impressionantes 1,90m de altura aos 15 anos, a jovem Sophia Levandoski desponta como uma das grandes promessas do esporte nacional e já integra a Seleção Brasileira de vôlei feminino de base.
A viagem inusitada rumo ao sonho
Natural de Nova Aurora, no Paraná, a atleta garantiu sua chance em Florianópolis de uma maneira bem peculiar. Filha de um motorista de transporte de cargas, ela viajou de carona no veículo pesado do pai, que conseguiu uma oportunidade de frete para a capital catarinense. Durante o período de testes na Escola de Vôlei 5, vinculada ao Instituto Paulão, pai e filha chegaram a dormir na cabine do caminhão.
“Eu e minha esposa estávamos pensando como que a gente ia, saiu uma carga pra mim para Floripa. Chegamos a dormir na carreta. Aí voltamos pra casa só eu e minha esposa, chorando, e a Sophia ficou”, declarou Giovani Kovalski, pai da jogadora.
Descoberta por campeão olímpico
O responsável por avaliar a jovem foi o ex-jogador Paulão, medalhista de ouro com a seleção principal nos Jogos de Barcelona em 1992 e idealizador do projeto social que atende meninas dos seis aos 19 anos. Curiosamente, a atleta nem sabia da trajetória de peso do seu mentor antes de receber o convite para integrar o grupo catarinense.
“Eu entrei em choque, porque eu não sabia que ele era campeão olímpico. Minha mãe falou que o clube do Paulão estava me chamando, Aí eu disse: ‘Quem é Paulão?’. Aí fui pesquisar e fiquei sabendo e fiquei “nossa”… Ai tive vontade de vir”, afirmou a jovem.
Para o ex-atleta, a chegada da paranaense representou um achado surpreendente para as quadras.
“Ficamos impressioados com a qualidade, a força e a alegria dela. A gente vivencia tanto essas meninas, que quando você olha uma… não que ela seja diferente, mas tu vê um potencial, algo a mais no olho, na vontade dela, e a gente comentou, mais um diamante chegando para a gente ter trabalho para isso”, pontuou Paulão.
Consagração na seleção de base
Atuando como ponteira, a atleta vestiu a amarelinha pela primeira vez em agosto, disputando o Campeonato Mundial sub-17 realizado no Chile. A convocação coroa um período de dedicação e superação após tentativas frustradas no passado.
“Ano passado eu estava na expectativa e não aconteceu. Esse ano, fui chamada para o laboratório da seleção e depois fui chamada. Fiquei muito feliz”, comemorou Sophia.
Além da estatura privilegiada e da técnica em evolução, a comissão técnica destaca o perfil psicológico e a garra demonstrada em quadra como diferenciais fundamentais para o seu rápido crescimento no cenário nacional.
“Uma potência, uma vontade de jogar, de ganhar, algo que vem dela. Quando você está fora, como treinadora, você não pode observar só a técnica e a tática. O nosso papel é muito desta parte comportamental, do atleta que não desiste na hora do jogo, e a Sophia tem muito disso”, concluiu Tatiana Ribas, treinadora do Instituto Paulão.
