O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) irá reabrir os patrimônios públicos da Casa do Barão e da Casa Bocaiúva como espaços de encontro, cultura, educação e convivência para a comunidade catarinense. O projeto busca valorizar a memória e a arte local.
Os edifícios tombados passam por obras de restauração desde de fevereiro de 2026, em uma tentativa de deixar presente nas paredes, os detalhes da construção e da arquitetura dos casarões para apreciação das novas gerações.
Para o Diretor do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), Promotor de Justiça Stefano Garcia da Silveira, A ideia é criar um espaço público para realização de atrações e exposições artísticas, atividades educacionais e ações para todas as idades e públicos.
“É uma possibilidade para que as pessoas também possam utilizar o espaço do Ministério Público para divulgar sua arte”, destaca o Promotor.
No anexo da Casa do Barão, será instalada uma cafeteria cujo processo de escolha já se encontra em andamento. A expectativa é que o Centro Cultural seja inaugurado até o final de 2026.
Cuidando da memória histórica
O principal objetivo do projeto é transformar o local em um ponto de convivência e aprendizado aberto à população. Stefano descata essa importancia:
“A ideia é que seja um espaço aberto ao público, inclusive nos finais de semana, para que as pessoas possam conhecer a história dessas casas e compreender os reflexos do trabalho do Ministério Público na vida dos catarinenses”, afirma.
Além de exposições, o local deverá receber atividades voltadas a toda a comunidade educacional, pesquisadores e visitantes interessados na história de Santa Catarina, de Florianópolis e do próprio Ministério Público.
A chefe do Setor de Memorial do MPSC (SEMEMOR), Priscila Melina Finardi, destaca que a ocupação cultural é a melhor maneira de preservar o significado desses imóveis históricos.
“Trazer gente para casa também é trazer vida. Trazer cultura, trazer as ações educativas, trazer crianças, universitários. O Ministério Público devolve à cidade dois bens tão marcantes para Florianópolis”.
Casarões fazem parte da história manezinha
A iniciativa busca preservar patrimônios tombados na Capital catarinense e conservar a história da ilha. Os edifícios fazem parte da cultura histórica de Florianópolis e tem registros datados de 1859. Ambos os prédios foram tombados como patrimônio histórico pelo município, em 1986.
Casa Bocaiúva
Os primeiros documentos mencionando a Casa Bocaiúva são de 1859, no jonal O Despertador.
Com 251 metros quadrados, a casa foi construida na arquitetura tradicional com influência luso-brasileira e características rurais, com paredes brancas e detalhes em amarelo e alvenarias verdes.
Localizada em um ponto estratégico, o edifício fica na Rua Bocaiúva, entre as vias Mauro Ramos e Conselheiro Mafra, que no século 19 eram zonas de acesso entre as áreas periféricas e o centro urbano da cidade, com igrejas, quartéis e fontes de água.
Os historiadores ainda não descobriram quem construi a casa e morou lá pela primeira vez, mas a propriedade passou por diversos donos até virar propriedade do governo em 2014, com a criação da atual sede do Ministério.
Casa do Barão
Não se sabe ao certo qual a idade da Casa do Barão. Alguns pesquisadores afirmam que a construção é datada de 1886, já outros acreditam ter sido construída ainda no século 18.
A casa foi moradia do Barão Dietrich von Wangenheim, diretor da metalúrgica Fundição Sapé S.A., e encarregado dos negócios da Dinamarca em Santa Catarina (1930 e 1931), cônsul dos Países Baixos (Holanda) em Santa Catarina (1932 a 1948) e cônsul da República Federal da Alemanha (1966 a 1974), segundo as informações da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis.
O barão foi casado com Edla von Wangenheim era também uma cineasta e fotógrafa amadora. Ela é considerada a primeira cineasta de Santa Catarina, cobrindo eventos familiares e oficias do governo, como a vinda de Getúlio Vargas à Ilha.
*Sob supervisão de Nicoly Souza
