Cristiano Ronaldo deixa seleção portuguesa após atrito com Jorge Jesus
O atacante Cristiano Ronaldo deixou, nesta quarta-feira (30), a concentração da seleção de Portugal em Copenhague (Dinamarca). A equipe ibérica terá os anfitriões pela frente nesta quinta-feira (1º), às 15h45 (horário de Brasília), pela terceira rodada do Grupo D da Liga das Nações.
Conflito após entrevista
A saída do atleta ocorreu logo após a entrevista coletiva do técnico Jorge Jesus, realizada mais cedo no Estádio Parken. O artilheiro sequer participou do treinamento de véspera da partida e retornou antes do confronto válido pelo torneio europeu.
Maior artilheiro da história do time português, com 146 gols, o jogador de 41 anos também detém o recorde mundial de tentos por uma mesma seleção. O desgaste aumentou no último domingo (27), quando ele ficou no banco e não foi utilizado na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, em Oslo, irritando-se durante o aquecimento na etapa final.
Três dias antes, no Estádio José Alvalade, em Lisboa, CR7 havia sido titular na estreia da competição — a primeira partida de Jesus no comando da equipe —, na vitória por 1 a 0 sobre País de Gales. Na ocasião, o camisa 7 teve um gol anulado e foi substituído aos 22 minutos do segundo tempo por Gonçalo Ramos.
Gestão de carga e declarações fortes
Questionado sobre a ausência do veterano, o treinador explicou que havia um planejamento prévio para poupá-lo nos duelos contra Noruega e Dinamarca, estratégia adotada desde os tempos em que trabalharam juntos no Al-Nassr, da Arábia Saudita.
“Sou o treinador e disse ao jogador que ele não iria jogar. ‘Vou levar você para o banco. Se precisar de você por 30 minutos, você vai jogar. Se não precisar, não vai jogar’. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele, nem ninguém no futebol. Nem presidente nenhum. Nunca. Zero”, declarou o técnico, que passou pelo Flamengo entre 2019 e 2020.
Pronunciamento e risco de punição
Após conversar com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, o atacante usou as redes sociais para confirmar sua saída da delegação e prometer esclarecimentos futuros.
“A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipe nacional, à qual sempre me dediquei. Agora é tempo de desejar boa sorte a Portugal e a todos os meus companheiros de equipe, sem exceção”, escreveu CR7.
A FPF corroborou a decisão do atleta e informou que os preparativos continuam “nos termos previstos, com os restantes 24 jogadores convocados” para os próximos compromissos, incluindo o duelo de domingo (4), às 15h45, contra a Noruega no Estádio do Dragão, no Porto.
Devido ao abandono da equipe, o atacante enfrenta o risco de punição esportiva. O parágrafo 1º do artigo 160 do código disciplinar da entidade prevê suspensão de um a seis meses para casos de abandono das atividades.
Em meio ao momento de instabilidade interna, a seleção portuguesa lidera o Grupo D com seis pontos, seguida por noruegueses e dinamarqueses com três, enquanto os galeses ainda não pontuaram. Apenas os dois primeiros colocados avançam às quartas de final da competição, da qual Portugal é a atual bicampeã.


