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Fim da escala 6×1 vira campo de batalha entre Lula e Flávio

Fim da escala 6×1 vira campo de batalha entre Lula e Flávio

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala 6×1 redefiniu as movimentações no tabuleiro eleitoral da corrida ao Planalto. Apesar de o resultado representar um saldo favorável à campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interlocutores admitem que o impacto pode ser insuficiente para uma virada no segundo turno, visto que o principal público beneficiado já compõe a base tradicional do petista.

Estratégia governista aposta em mobilização e questiona rival

Diante do desfecho legislativo, a coordenação de campanha do governo traçou duas linhas centrais de atuação. A primeira foca em atribuir a conquista histórica à liderança de Lula, que estuda marcar presença na sessão solene de promulgação da matéria no Congresso Nacional ou organizar uma cerimônia temática no Palácio do Planalto nos próximos dias para consolidar o ganho político.

A segunda frente precisou ser recalculada após o voto favorável do senador Flávio Bolsonaro (PL). Impedidos de rotulá-lo diretamente como “inimigo do trabalhador”, os articuladores governistas decidiram explorar a súbita guinada do adversário, classificando-a como uma postura pouco confiável. O argumento a ser levado ao eleitor é de que a oposição pretende desidratar a nova regra em votações futuras.

QG bolsonarista barra debate imediato e planeja nova investida

Do lado da oposição, a diretriz interna no comitê de Flávio foi encerrar qualquer debate público sobre a jornada de trabalho nesta reta final de campanha. A orientação é não alimentar a pauta agora e concentrar eventuais alterações nas regras para o início da próxima legislatura.

Para o ano que vem, o Partido Liberal articula o avanço de matérias que flexibilizem o modelo. Entre as opções na mesa estão um texto do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha do grupo, que propõe o pagamento por hora trabalhada, e um projeto similar do deputado federal Maurício Marcon (PL-RS). O objetivo dessas medidas é permitir que o próprio trabalhador opte entre o regime tradicional da CLT e a remuneração horária.

Articulações com o Centrão indicam mudanças futuras

Apesar da vitória governista no plenário, a revisão do formato aprovado conta com simpatia para além da oposição. Lideranças do Centrão já indicam disposição para apoiar ajustes no texto a partir do próximo calendário legislativo, inclusive entre parlamentares que votaram com o Palácio do Planalto.

O senador Omar Aziz (PSD-AM) pontuou que determinados segmentos econômicos tendem a sofrer prejuízos com o formato atual da emenda. Na mesma linha, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destacou a necessidade de aperfeiçoamentos no dispositivo. A tendência de bastidor é que essas correções sejam implementadas por meio de regulamentações complementares capazes de excepcionar setores específicos da economia.

João Vianna

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