Flávio Bolsonaro ignora votação da escala 6×1 em comício no RS
O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda de campanha nesta quarta-feira (14) no Rio Grande do Sul sem falar publicamente sobre a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do fim da escala de trabalho 6×1, que começou a ser votada no Senado no final da tarde.
Foco na segurança pública e maioridade penal
No mesmo horário, Flávio Bolsonaro fazia um comício no centro de Porto Alegre dando ênfase à emenda apresentada pelo PL dentro da PEC da Segurança Pública e que reduz a maioridade penal para 16 anos, uma das bandeiras da sua campanha.
“A PEC que o Lula mandou para o Congresso, da segurança pública, era para combater a polícia. E a gente no Congresso já mudou ela. Ela vai ser para proteger os cidadãos ordeiros, as pessoas inocentes”, discursou ele aos apoiadores.
Durante a agenda, Flávio Bolsonaro não fez menções à PEC do fim da escala 6×1, que é uma das bandeiras do seu adversário neste segundo turno, o presidente Lula (PT).
Posicionamento sobre a jornada de trabalho
O candidato do PL evitou ao longo da campanha o tema, mas, nesta terça-feira (13), diante da possibilidade de se enfraquecer para as urnas, declarou que votaria a favor da PEC. No Senado, a expectativa é que ela seja aprovada ainda na noite desta quarta em dois turnos de votação. Senadores podem votar de forma eletrônica, sem necessidade de presença no plenário.
Apesar do recuo do presidenciável do PL, aliados dele admitem que, se eleito, Flávio deverá propor uma alteração. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), antecipou que a ideia seria aprovar em 2027 a PEC do “pagamento por hora trabalhada”. Com esse modelo, o profissional poderia escolher um contrato em que folga dois dias por semana –mas, neste caso, não recebe pelos dias em que não trabalha.
A PEC do fim da escala 6×1 que está sendo votada nesta quarta reduz a jornada semanal de 44 horas para 40 horas, 14 meses após a promulgação, e determina que todos os trabalhadores terão dois dias de descanso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução de salários.
Apoio político e declarações sobre democracia
Na agenda no Rio Grande do Sul, Flávio estava acompanhado dos governadores eleitos dia 4 de outubro na região Sul, Sergio Moro (Paraná), Jorginho Mello (Santa Catarina) e Luciano Zucco (Rio Grande do Sul), todos do PL. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também participou, além de alguns senadores eleitos. O PL terá a partir do ano que vem as maiores bancadas do Congresso.
Durante o comício, Flávio Bolsonaro também tentou reagir às manifestações de eleitores do Lula de que os Bolsonaros representam uma ameaça à democracia.
“Eu vou governar para todo mundo, até para os petistas. Porque eles irão ver que, com Bolsonaro, a democracia está garantida”, afirmou Flávio, cujo pai cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe.
O presidenciável também falou sobre o ex-presidente e o resultado do primeiro turno eleitoral. “Eles tentaram enterrar Jair Bolsonaro vivo. Condenado covardemente pelos seus próprios inimigos. O maior perseguido político desse Brasil fez uma revolução”, disse Flávio.
Agenda em zona afetada por enchentes
O primeiro evento de campanha em Porto Alegre, por volta das 16h, ocorreu sob vento e chuva fina em um campo de futebol no bairro Sarandi, um dos mais atingidos pela tragédia climática de maio de 2024 na capital gaúcha. O local fica ao lado de um dique que precisou ser parcialmente reconstruído após o rompimento de trechos da estrutura.
Cerca de 26 mil moradores do bairro foram afetados pela inundação, que chegou até o segundo andar de casas da região. A enchente atingiu ao menos 8.000 prédios no bairro, segundo a Prefeitura de Porto Alegre. Nesta agenda, Flávio estava acompanhado do prefeito Sebastião Melo (MDB).
No mês de agosto, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Flávio Bolsonaro disse que os eventos climáticos extremos “são cíclicos” e que “não acho que isso tem a ver diretamente só com a influência do ser humano no meio ambiente”. Questionado na ocasião sobre como pretendia proteger a população dos eventos extremos, ele respondeu que “a melhor forma que nós temos de proteger o meio ambiente é oferecendo saneamento básico”.
