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Indústria de panificação bate recorde e fatura R$ 18 bi no país

Indústria de panificação bate recorde e fatura R$ 18 bi no país

O mercado brasileiro de panificação vivenciou uma profunda transformação ao longo dos últimos dez anos. O volume anual fabricado saltou de 1,6 milhão de toneladas em 2014 para a marca histórica de 3,14 milhões de toneladas em 2024, representando uma alta expressiva de 92,8%. No mesmo período, a receita líquida de vendas acompanhou a expansão e atingiu o patamar inédito de R$ 18 bilhões.

Mudança no perfil de consumo impulsiona produtos especiais

A diversificação dos hábitos alimentares foi o principal catalisador desse avanço produtivo. Entre os segmentos analisados, o maior destaque coube aos pães de forma enriquecidos com grãos e especiarias, que registraram um salto extraordinário de 469,5% na produção, saindo de 109,6 mil toneladas para 624,3 mil toneladas em uma década. Com essa arrancada, a categoria ampliou sua fatia no volume total de 6,7% para 19,9% — o equivalente a praticamente uma em cada cinco toneladas elaboradas pela indústria.

Outros itens também tiveram desempenhos expressivos no período de dez anos. A confecção de bolos industrializados cresceu 282,1%, atingindo 197,9 mil toneladas, enquanto os tradicionais pães de queijo dobraram de patamar ao anotarem alta de 100,2%.

Apesar da ascensão das novidades, o pão de forma tradicional segue como o carro-chefe das fábricas: foram 1,3 milhão de toneladas em 2024, volume que representa 41,5% de toda a produção nacional e R$ 4,53 bilhões em faturamento (25,2% da receita total). Em seguida vieram as versões com grãos e especiarias, responsáveis por R$ 4,36 bilhões, e a linha de padarias e confeitarias, com R$ 4,12 bilhões.

Geração de empregos e remuneração em alta

O aquecimento produtivo impulsionou a criação de postos de trabalho. Em 2025, a cadeia produtiva alcançou a marca de 86.609 estabelecimentos ativos e 546.506 trabalhadores com carteira assinada em território nacional. Na comparação com o quadro de 2022, houve um incremento de 8,6% no número de empresas e de 5% no quadro de colaboradores. Entre 2024 e 2025, o mercado agregou cerca de 17 mil novos empregos formais (+3,2%).

Os rendimentos dos trabalhadores também registraram ganhos reais. O salário médio chegou a R$ 2.289,11 em 2025, acumulando uma valorização de 4,7% em um ano e de 20,8% frente aos valores verificados em 2022.

Contudo, o avanço tecnológico impõe desafios na contratação. Segundo Raphael Veríssimo, especialista em Estudos de Competitividade da Firjan:

“A preocupação com a escassez de mão de obra ganha ainda mais relevância diante das mudanças no perfil profissional da panificação. O estudo mostra que as ocupações ligadas à operação industrial e aos processos produtivos cresceram em ritmo muito superior ao emprego do setor como um todo. Esse movimento sinaliza uma panificação mais moderna, com maior demanda por profissionais preparados para operar equipamentos e acompanhar os processos de produção. A qualificação profissional é fundamental para aproximar os jovens dessas oportunidades e sustentar o crescimento de um setor que faz parte do dia a dia das famílias em todo o país”.

Na mesma linha, Fernanda Hipólito, presidente do Rio+Pão, Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Município do Rio de Janeiro, ressalta as perspectivas para novos profissionais:

“O setor de panificação está em ebulição. O pão está presente nas padarias, porém cada vez mais adaptados aos novos cardápios, à modernidade. Existem muitas oportunidades de emprego, mas também é preciso dizer que há uma escassez de mão-de-obra. Observo as lojas trabalhando de forma a atrair mais mão-de-obra, oferecendo benefícios e capacitações. Acredito que esses dados possam servir como um convite para que jovens enxerguem a panificação como um mercado de oportunidades, como um setor onde eles também podem construir um plano de carreira.”

Distribuição geográfica e liderança regional

A Região Sudeste abriga mais da metade da força de trabalho formal do segmento no país. São Paulo permanece na vanguarda, concentrando 161.380 vagas (29,5% do total do Brasil). Minas Gerais surge em segundo lugar, somando 76.897 empregados (14,1%), acompanhado pelo Rio de Janeiro, com 46.216 postos (8,5%).

Completam a lista dos maiores empregadores estaduais o Paraná (32.403 vínculos e 5,9%), Rio Grande do Sul (29.214 e 5,3%), Santa Catarina (25.772 e 4,7%), Bahia (23.731 e 4,3%) e Pernambuco (18.686 e 3,4%).

Em contrapartida, as maiores taxas de expansão de vagas entre 2024 e 2025 foram observadas no Norte e no Nordeste: o Amazonas liderou o crescimento percentual de carteiras assinadas (11,8%), seguido por Piauí (10,9%), Tocantins (10,3%), Bahia (7,9%), Pará (7,3%) e Maranhão (7,3%). Apenas Goiás (-0,9%) e Rondônia (-1,3%) apresentaram retração no quadro de contratados.

Em termos de densidade por habitante, o Distrito Federal figura no topo do ranking brasileiro, contabilizando 6,53 padarias e confeitarias para cada grupo de 10 mil cidadãos. Minas Gerais (6,22) e Espírito Santo (6,19) aparecem logo atrás, superando com folga a média nacional, calculada em 4,26 estabelecimentos por 10 mil residentes.

Modernização das fábricas valoriza cargos técnicos

O aprimoramento dos métodos de fabricação tem redefinido o perfil dos profissionais contratados. Entre 2022 e 2025, as atividades dedicadas a manutenção, qualidade e controle apresentaram salto de 19,9%, enquanto os postos voltados a operação fabril e processos produtivos subiram 16,1% — ambos bem acima da média de 5% registrada pelo conjunto do segmento.

Essas atribuições técnicas também garantem os melhores ganhos. Em 2025, os trabalhadores de manutenção, qualidade e controle receberam remuneração média de R$ 4.382, valor que praticamente dobra a média geral da área. Para os operadores de linhas produtivas, o contracheque médio ficou em R$ 2.435.

Apesar do movimento de modernização operacional, o contingente de atendimento, vendas e gestão continua absorvendo a maior parcela da força de trabalho, reunindo 293.957 colaboradores (53,8% do total). O grupo direto de produção e preparo alimentício responde pela segunda maior concentração, reunindo 152.608 profissionais (27,9%).

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