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Médico que chorou por salário é afastado em Camboriú

Médico que chorou por salário é afastado em Camboriú

O profissional da saúde que apareceu chorando e cobrando o próprio salário em frente ao Hospital Cirúrgico de Camboriú (HCC) acabou sendo retirado de suas funções poucas horas depois de tornar o caso público. Conforme relatado pelo médico Álvaro Kroetz, a punição não se limitou apenas ao plantão daquele dia, mas o excluiu de toda a escala até o encerramento do mês, período que coincide com o fim do contrato da associação responsável pela gestão da unidade.

“Não faço mais parte do corpo clínico do hospital. Fui avisado que não iria até o dia 25, que é quando termina a administração da AHBR no Hospital Cirúrgico de Camboriú”, disse o médico em vídeo gravado nesta quinta-feira (15). “O motivo eu não sei, mas nós podemos mensurar qual é o motivo.”

A revelação pública e a tensão no pronto-socorro

A manifestação ocorreu quando o profissional, ainda vestindo jaleco na área externa do centro médico, expôs que a equipe médica completava o mês de setembro sem recibir os valores devidos e sem previsibilidade para a quitação. “Nós estamos na vigência de levar um calote. A empresa não se manifesta de maneira efetiva”, disse.

A situação gerou um cenário atípico na unidade. O médico relatou ter conversado abertamente com os pacientes que aguardavam atendimento para explicar o estresse enfrentado pela equipe. “Cheguei a falar com os pacientes, pedi clemência, pedi: ‘Por favor, gente, entendam, nós estamos sob pressão’”, contou. “Eu não queria aplauso, eles aplaudiram, eu não queria nada disso, mas eles entenderam a situação.”

Impacto financeiro e repercussão com pacientes

Tomado pela emoção, Álvaro detalhou o destino do dinheiro que recebe pelos plantões, destacando que atua como suporte financeiro para a avó em Porto União, auxilia o pai aposentado e custeia os estudos da noiva. “Eu não fico com um real desse dinheiro. Esse dinheiro todo não é pra mim. Isso é pra minha família, que eu trabalho, e pelo bem dos pacientes que a gente trata”, afirmou. “Como que eu vou olhar pra minha noiva e dizer: ‘Eu não vou poder pagar sua faculdade’?”

Enquanto isso, quem aguardava por atendimento na unidade relatava longas horas de espera. A gerente Ana Cláudia Rodrigues Marques afirmou que estava havia cinco horas no local com o pé torcido, esperando por um exame de raio-X, após ser informada sobre os problemas enfrentados pela equipe médica. Já a diarista Lourdes Braz de Menezes pontuou que o cenário no pronto atendimento era caótico durante a espera com os dois filhos.

Quitação dos valores e posicionamento da empresa

Um dia após a repercussão do caso, a quantia devida começou a ser depositada aos profissionais. “A empresa já realizou o pagamento hoje. Então, meus amigos, as nossas reivindicações deram certo”, celebrou Álvaro.

Em contrapartida, a Associação Hospitalar do Brasil (AHBR), gestora do hospital, negou qualquer demissão e justificou que o profissional foi dispensado “para segurança do profissional, dos pacientes e a pedido”, citando exaustão por plantões longos e abalo emocional. Posteriormente, a entidade argumentou que não houve rompimento de vínculo celetista, uma vez que os médicos atuam como autônomos ou pessoa jurídica por meio de convocações.

Sobre os prazos, a AHBR sustentou que as notas fiscais recebidas entre os dias 1 e 10 são quitadas até o dia 20 do mês subsequente, classificando o depósito como antecipado em relação ao vencimento contratual. A entidade também apontou supostos atrasos nos repasses financeiros por parte da Prefeitura de Camboriú.

Transição na administração da saúde municipal

Por sua vez, a Prefeitura de Camboriú negou irregularidades e garantiu que os repasses financeiros estão rigorosamente em dia, cabendo à empresa contratada a responsabilidade direta pelos salários da equipe.

O contrato vigente com a AHBR encerra-se no dia 25 de outubro, data em que a administração municipal retomará o controle do Hospital Cirúrgico. A gestão planeja utilizar empresas terceirizadas temporariamente para assegurar o funcionamento dos serviços e planejar uma solução definitiva para a unidade hospitalar.

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