Megaobra de R$ 18 bi ligará Maranhão a Goiás por linha de energia
Um investimento de R$ 18,1 bilhões começou a transformar a infraestrutura energética do interior do país. Trata-se do projeto Graça Aranha–Silvânia, apontado como o maior contrato de transmissão de eletricidade já licitado na história do Brasil, conectando os estados do Maranhão e de Goiás ao cruzar todo o território do Tocantins.
Conexão estratégica entre regiões
Gerenciada pela State Grid Brazil Holding, braço da estatal chinesa State Grid, a obra funcionará como uma verdadeira autoestrada para o fluxo energético interestadual. O objetivo primário da estrutura não é a geração, mas sim o escoamento massivo da produção limpa gerada no Norte e Nordeste — com destaque para parques eólicos e solares, além de usinas hidrelétricas — em direção aos maiores centros de consumo do território nacional.
A expansão contínua das fontes renováveis nessas localidades gerou gargalos operacionais. Sem canais de distribuição condizentes com a capacidade instalada, a nova eletricidade corria risco de represamento. Com o novo corredor, o Sistema Interligado Nacional (SIN) ganha robustez, segurança operacional e maior confiabilidade de abastecimento.
Tecnologia de ultra-alta tensão
Para viabilizar a transferência em distâncias continentais sem perdas expressivas, a espinha dorsal do projeto foi desenhada com tecnologia de ponta. O traçado principal possui 1.468 quilômetros de extensão e operará por meio de um sistema de corrente contínua em ultra-alta tensão de ± 800 quilovolts, atingindo capacidade nominal de 5 gigawatts.
Na prática, a carga chega às estações em formato de corrente alternada, é convertida em corrente contínua para percorrer a extensa malha e, ao atingir o destino final, passa por nova conversão para ser injetada na rede tradicional de distribuição. O trajeto conecta a subestação de Graça Aranha (MA) à estrutura receptora situada no município de Silvânia (GO).
Canteiros de obras em atividade
Arrematado durante o Leilão de Transmissão nº 2/2023, o empreendimento já mobiliza frentes de trabalho no Centro-Oeste e no Nordeste. As intervenções iniciais contemplam serviços pesados de terraplenagem, drenagem e fundações de concreto e aço, projetadas para erguer as grandiosas torres metálicas e abrigar transformadores e equipamentos pesados nas estações conversoras.
Após a conclusão da montagem estrutural e o estiramento dos cabos condutores, a nova rota formará um dos mais extensos corredores elétricos da América Latina, integrando definitivamente o potencial sustentável do Norte e Nordeste à matriz energética que abastece o restante do Brasil.
