Menino haitiano de 10 anos será sepultado em Balneário Piçarras
Samuel Henrique Charles, menino haitiano de 10 anos, desapareceu no mar de Balneário Piçarras no domingo e teve o corpo encontrado na quarta-feira, depois de 4 dias de buscas que mobilizaram equipes no mar e na orla. O velório começou às 12h30 de quinta-feira, na capela mortuária do cemitério municipal Jardim das Azaleias, e o sepultamento está previsto para sexta às 10h.
As buscas seguiram até depois do anoitecer
O menino sumiu em frente ao posto de guarda-vidas número 7, depois de entrar no mar e ser arrastado por uma onda. Helicópteros, jet skis, embarcações particulares e um drone da polícia Militar participaram da operação. Na quarta-feira, uma aeronave civil que passava pela região avistou o corpo no mar. O drone usado na operação chegou ao ponto indicado, mas ficou sem bateria e o contato foi perdido.
As equipes já sabiam em que região concentrar os esforços e continuaram procurando mesmo depois do anoitecer. As buscas noturnas não fazem parte do procedimento padrão do corpo de bombeiros, mas a operação foi mantida diante da proximidade de encontrar Samuel. Cerca de uma hora depois do primeiro avistamento, o corpo do menino foi localizado.
Enquanto isso, Weegens Charles permaneceu na praia durante os 4 dias em vigília pelo filho. Às vezes sentado nas pedras do molhe, outras caminhando pela orla com os olhos voltados para o mar ou parado na areia, ele não saiu do lugar. A espera comoveu a comunidade de Piçarras.
O pai ficou na praia e a cidade respondeu
Dezenas de pessoas participaram de correntes de oração na orla ao longo dos dias de buscas. A história da família também levou Edu Felicio a iniciar uma vaquinha virtual para ajudar a pagar os custos do funeral e dar assistência aos familiares.
No domingo em que Samuel desapareceu, Weegens chegou à praia com uma bicicleta velha. Enquanto procurava pelo filho, a bicicleta foi roubada. Depois disso, Edu disse: “A bike eu já consegui. Uma pessoa me procurou e vai dar uma bike. Quero agradecer a cada um de coração. Eu não quero fazer aquelas vaquinhas online, porque tem muita gente que nem sabe para quem vai o dinheiro. Tudo o que eu fizer vai ser diretamente para o pai e a mãe do Samuel”.
Samuel era apaixonado pelos bombeiros. No Dia da Profissão, realizado pela Associação Caminhar Juntos, ele foi vestido com uma farda da corporação. Um membro da entidade contou: “Ele queria ser bombeiro e pediu a farda pra mim”.
A Prefeitura de Piçarras divulgou uma nota de pesar pela morte do menino e informou que Samuel estudava na Escola Municipal Francisca Borba. Na nota, a prefeitura disse: “A prefeitura se solidariza com os familiares e amigos de Samuel. O município reforça que seguirá ao lado da família de Samuel, por meio da secretaria de Saúde, com acompanhamento e suporte psicológico aos familiares neste momento de profunda dor”.

