PF revela mensagens que expõem proximidade entre Daniel Vorcaro e Hugo Motta
Dados obtidos pela Polícia Federal no telefone de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, indicam uma forte proximidade com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O conteúdo reúne desde elogios mútuos e pedidos para eventos até convites para reuniões presenciais.
Histórico de conversas e encontros
Os arquivos foram coletados durante diligências policiais e posteriormente tornados públicos. Em maio de 2025, por exemplo, Vorcaro comentou que estava na capital paulista com destino a Belo Horizonte, mas mencionou que preferiria estar em Mônaco ao lado de Motta, momento em que engataram uma ligação telefônica.
Outro registro de março do mesmo ano mostra o parlamentar solicitando quatro entradas para assistir ao desfile das campeãs na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. O empresário prontamente confirmou a entrega e solicitou a identificação das pessoas convidadas.
Os contatos evoluíram para agendas físicas. No mês de julho de 2025, o banqueiro tomou café da manhã na residência do deputado. Pouco depois, em agosto, recebeu um convite para comparecer a um evento na casa de Davi, alusão ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Empréstimo e repercussão política
Além do intercâmbio de mensagens sociais, os registros revelam transações financeiras, como um crédito superior a R$ 22 milhões liberado pelo Banco Master em favor de uma firma vinculada a Bianca Medeiros, cunhada de Motta. Os papéis indicam que os recursos viabilizaram a aquisição de um terreno situado em João Pessoa, na Paraíba.
Por intermédio de sua assessoria, Motta afirmou que mantém diálogo com diferentes setores da sociedade e do empresariado. O presidente da Câmara negou que as conversas indiquem favorecimento ou qualquer relação ilícita e declarou que não há irregularidade retratada nos diálogos divulgados.
As apurações da corporação policial ainda evidenciam interações de Vorcaro com Davi Alcolumbre. Durante o mês de fevereiro de 2025, o banqueiro congratulou o senador pela vitória na disputa pelo comando do Senado Federal, recebendo retribuições cordiais e menções a uma relação de amizade. Posteriormente, o senador classificou como falsas as acusações relacionadas às conversas e afirmou que os diálogos tinham caráter pessoal e não indicavam ilegalidade.


