Educação e clima pautam debate sobre futuro do ensino em SC
O impacto das transformações ambientais no cotidiano escolar e a necessidade urgente de preparar as novas gerações para enfrentar a crise climática nortearam o Seminário Estadual Sustentabilidade Socioambiental na Educação. O encontro foi sediado no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis, reunindo gestores públicos, acadêmicos e entidades da sociedade civil organizada.
Integração ambiental nos planos decenais
O foco central da mobilização é fornecer diretrizes concretas para a elaboração do novo Plano Estadual de Educação e das legislações municipais correlatas para os próximos dez anos. A iniciativa da deputada Luciane Carminatti (PT), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), contou com a parceria da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, do Fórum Estadual de Educação (FEE-SC) e da Associação Internacional Carta da Terra Internacional – Brasil.
As discussões atendem às exigências do Objetivo 8 do Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei Federal 15.388/2026, que determina o ensino ambiental e o enfrentamento às alterações do clima em toda a rede educacional básica e superior.
Durante sua fala, a deputada Luciane Carminatti enfatizou o papel formador das instituições escolares frente ao cenário atual. As questões climáticas estão aí, cada vez mais recorrentes, e não são decorrentes de um castigo de Deus, mas da ação humana. Se é uma ação humana, a escola tem a ver com a formação dos seres humanos, declarou a parlamentar.
Prazo até 2027 e impactos diretos nas salas de aula
A parlamentar ressaltou que as discussões precisam se traduzir em políticas públicas efetivas nos 295 municípios do estado, com dotação orçamentária, responsáveis definidos e cronogramas detalhados.
Temos até abril de 2027 para aprovar o Plano Estadual de Educação, e esse debate é fundamental. A emergência climática é uma realidade, e Santa Catarina sente essa mudança do clima. Quando uma escola suspende as aulas em função de uma enchente, estamos diante de um exemplo concreto de como as questões climáticas afetam a educação, alertou Carminatti.
A composição da mesa de autoridades do evento reuniu também o representante da Secretaria de Estado da Educação, Marcus Tomasi; o conselheiro da Carta da Terra Internacional Brasil, Luiz Figueiredo; a secretária-executiva do Fórum Estadual de Educação, Nara Pimentel; e o integrante do Fórum Nacional de Educação (FNE), Carlos Alberto Marques.
Marques frisou a relevância de transformar os diagnósticos em medidas aplicadas na rotina dos colégios, lembrando a mobilização de 65 entidades em âmbito federal. Temos que militar para que isso seja efetivado, afirmou o dirigente ao abordar os desafios para evitar o distanciamento entre a teoria legislativa e a aplicação do planejamento educacional.
Diálogo comunitário e certificações ambientais
Segundo dados apresentados por Nara Pimentel, o Fórum Estadual de Educação congrega 51 organizações e já promoveu 12 conferências e seminários regionais voltados a mapear as demandas locais para a próxima década. Para Marcus Tomasi, a convergência técnica em torno do assunto ajudará o Estado e os municípios a estruturarem metas conjuntas viáveis.
Adoção dos princípios da Carta da Terra
O evento também contou com o painel “A Carta da Terra, Educação para a Sustentabilidade e o Selo Escola Sustentável”, que abordou o documento internacional articulado em 16 postulados para guiar um planeta pacífico, justo e sustentável. O debate reuniu especialistas como Waverli Neuberger, professora universitária, e Mirian Vilela de Araújo, diretora-executiva do órgão e doutora pela Universidade Harvard, que participou diretamente da Costa Rica.
O conselheiro Luiz Figueiredo explicou que a iniciativa visa consolidar práticas permanentes na cultura escolar, mencionando um projeto-piloto em andamento no Brasil que concede o selo Escola Carta da Terra: Atualmente, o projeto está em fase piloto, com três escolas participantes: uma instituição particular em Joinville, Santa Catarina; uma escola em Uberlândia, Minas Gerais; e outra em Fortaleza, Ceará.
Ao concluírem o ciclo de avaliação, essas instituições educacionais também estarão habilitadas a receber o selo Escola Verde, chancelado em conformidade com o programa estabelecido pela Unesco em 2025, garantindo que o cuidado ambiental deixe de ser matéria periférica e se consolide como prática pedagógica cotidiana.
