Santa Catarina amplia efetivo da Polícia Penal em 58% desde 2023
Diferente do panorama observado no restante do país, o contingente da Polícia Penal em Santa Catarina apresentou um salto expressivo de 58% desde o início de 2023. O quadro de servidores da Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri), que antes reunia 2.800 agentes, atualmente se aproxima de 4.700 profissionais dedicados à vigilância e custódia no sistema penitenciário estadual.
Cenário nacional aponta redução de agentes penitenciários
O avanço catarinense ocorre em meio a um recuo geral da categoria no território brasileiro. Dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que a Polícia Penal foi a única corporação a encolher nos últimos dois anos no país, caindo 3% — de 94.673 para 91.850 agentes. Paralelamente, o volume de detentos no Brasil subiu 13,22%, atingindo a marca de 964.668 indivíduos encarcerados. Em âmbito federal, o déficit chega a 42.314 postos em aberto, com taxa de ocupação de apenas 68,5% das 134.164 vagas existentes na carreira.
O governador Jorginho Mello destacou a estratégia de fortalecimento integrado da segurança pública catarinense: A gente trabalha incansavelmente para manter Santa Catarina como o estado mais seguro do Brasil. Por isso, a nossa gestão olha para todas as forças de segurança, porque se uma prende o bandido, outra tem que garantir que ele fique preso. Nós investimos em equipamentos, viaturas e principalmente em pessoal, valorizando o policial e preenchendo as vagas por todo o estado.
Rotina carcerária e incentivo ao trabalho dos detentos
As atribuições dos policiais penais abrangem a custódia interna nas penitenciárias, transporte e escolta, segurança perimetral, além de missões operacionais como intervenções táticas e busca por fugitivos. Um dos fatores que impulsiona a exigência por maior efetivo é a política estadual de incentivo à atividade laboral para os apenados, iniciativa que requer escolta contínua na movimentação das celas aos galpões de trabalho.
A secretária de Estado da Justiça e Reintegração Social, Danielle Amorim Silva, detalhou as demandas geradas pelo modelo: A gente precisa realmente de uma estrutura de segurança orgânica dentro das nossas unidades prisionais, para que a gente possa manter toda essa atividade, tanto do trabalho prisional, quanto da segurança dessas unidades prisionais, que corroborem com a importância que a gente precisa ter para manter as nossas unidades prisionais seguras. E a gente tá indo na contramão porque a gente conseguiu com essas nomeações da polícia penal acompanhar o crescimento da população carcerária.
Aporte em tecnologia, frota e novas vagas
Além da expansão do quadro funcional, o Executivo catarinense estruturou o programa Administração Prisional Levada a Sério, focado na criação de mais de 9.500 vagas nas penitenciárias e presídios do estado.
O plano de investimentos contempla ainda a modernização dos equipamentos de segurança. A infraestrutura recebeu drones avançados para monitoramento do perímetro carcerário, armamentos de grosso calibre — incluindo escopetas calibre 12, submetralhadoras e fuzis —, itens de menor potencial ofensivo e uma frota de 79 novas viaturas, adquiridas parcialmente com receitas dos fundos rotativos gerados a partir do trabalho prisional.
A titular da pasta complementou o direcionamento da gestão: E o governador Jorginho Mello, teve a noção da importância de que, além do investimento na Polícia Civil, na Polícia Militar, para que a gente pudesse aumentar o número de operações, que acaba como consequência aumentando o número de presos, ele também teve esse investimento, esse olhar com investimento dentro do sistema prisional. Nós aumentamos o número de policiais penais do nosso efetivo, estamos aumentando o número de vagas do sistema prisional, para que a gente possa aí absorver o aumento da população carcerária.
