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Mãe autoriza doação de órgãos após morte de filho de 20 anos

Mãe autoriza doação de órgãos após morte de filho de 20 anos

A perda precoce de um ente querido expõe famílias a dilemas devastadores. Em Capão Bonito, interior paulista, Eliana Aparecida Ferreira de Oliveira enfrentou essa dor extrema após o falecimento de seu filho, João Victor, de 20 anos, vítima de um AVC hemorrágico. Diante da tragédia, ela precisou fazer uma escolha capaz de salvar vidas: autorizar a doação dos órgãos do jovem.

O mal súbito e o diagnóstico O drama começou após uma jornada comum. O rapaz trabalhou, almoçou com os parentes e retornou às suas atividades profissionais. Horas depois, a mãe recebeu o aviso de que ele apresentava uma forte dor de cabeça seguida de convulsões.

Após receber os primeiros socorros, o quadro clínico exigiu a transferência do paciente para a Santa Casa de Itapeva devido à gravidade. O óbito foi confirmado pela equipe médica três dias mais tarde, iniciando o período de luto e a difícil decisão sobre a destinação dos órgãos.

A ponderação familiar e a superação da dor Segundo o relato de Eliana para o G1, a decisão não foi simples. O marido ficou irritado com a movimentação da equipe responsável pela captação dos órgãos, e ela precisou conversar com ele e com outros familiares antes de seguir adiante.

Para convencê-los, ela fez uma pergunta que também resume a dimensão da decisão: se um dia alguém da família precisasse de um órgão para sobreviver, eles gostariam que outra pessoa autorizasse a doação? A família acabou dizendo sim.

Durante o processo, a mãe compreendeu que o ato solidário daria um novo sentido à perda. Ela soube que um dos tecidos captados foi destinado a um paciente em Marília (SP). Mantendo a discrição sobre os receptores, ela resumiu sua postura: “Você dá e não é para ficar buscando aquele que vai receber”. O jovem, vale destacar, nunca havia conversado formalmente com os parentes sobre o tema.

Regras e funcionamento da doação no Brasil No sistema brasileiro, a captação de órgãos e tecidos após o falecimento depende obrigatoriamente do aval da família, mesmo que o indivíduo tenha manifestado essa vontade em vida. O procedimento pode ocorrer após a confirmação de morte encefálica ou parada cardiorrespiratória.

A identificação de potenciais doadores ocorre em âmbito hospitalar. A distribuição segue critérios técnicos rígidos de compatibilidade e urgência gerenciados pelo Sistema Nacional de Transplantes, impedindo que os parentes escolham o beneficiário direto.

Orientações e registros para futuros doadores Especialistas reforçam que a conversa aberta com os entes queridos é a principal ferramenta para garantir que o desejo de doação seja atendido. Embora não seja obrigatório o registro em cartório, existe atualmente a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), ferramenta digital gratuita que facilita a consulta, embora a palavra final continue com a família.

Entre as estruturas que podem ser captadas após o falecimento estão rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, pele, ossos, tendões e vasos sanguíneos. Também existe a modalidade entre vivos, permitida para medula óssea, parte do fígado, pulmão ou um dos rins, desde que não haja riscos à saúde do voluntário.

João Vianna

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