Banner
Banner
Banner
Banner

‘Nossa alegria virou tristeza’: mãe denuncia negligência após morte de bebê em Joinville

‘Nossa alegria virou tristeza’: mãe denuncia negligência após morte de bebê em Joinville

A morte da recém-nascida Ayanna após um parto de 12 horas em Joinville, no Norte catarinense, motivou uma denúncia de negligência médica contra a Maternidade Darcy Vargas.

A mãe, a joinvilense Fernanda Frensch, afirma que a filha nasceu saudável, mas não resistiu após uma série de falhas no atendimento, incluindo a recusa de cesariana, uso de equipamentos danificados e omissão de informações clínicas. A unidade nega irregularidades e afirma que o caso está sob apuração técnica.

Ayanna nasceu com 4,2 quilos e 57 centímetros, mas não resistiu após complicações no parto. Fernanda afirma que o médico responsável precisou escolher entre salvar a vida dela ou da filha, e que os erros cometidos por residentes foram preponderantes para a morte da recém-nascida.

Ela relata que chegou à maternidade por volta das 13h do dia 4 deste mês, sendo atendida em cerca de uma hora depois da entrada. Gestante de alto risco, com pressão alta e diabetes, ela relata que pediu exame de toque, mas que teve o pedido ironizado por uma médica. Após o exame, foi constatado que já havia cinco centímetros de dilatação.

“No início, tudo correu bem. Ayanna estava ativa, com batimentos cardíacos normais. Mas quando cheguei a sete centímetros, as dores se tornaram insuportáveis”, conta.

De acordo com Fernanda, ela e o marido solicitaram uma cesariana, mas o pedido teria sido negado pela equipe médica. Ela conta que chegou a ser avaliada por um outro profissional, que teria sido informado de que o quadro era estável. Fernanda acredita que, caso o médico tivesse sido corretamente informado, teria optado pela cesárea.

Em seu relato, ela denuncia também a precariedade dos equipamentos da maternidade, como o aparelho de medicação intravenosa que, segundo ela, foi operado manualmente pelo marido, além do aparelho de pressão arterial que estava com defeito.

Durante o parto, conforme Fernanda, Ayanna “chegou a colocar a cabeça para fora”, mas os profissionais não conseguiram concluir o procedimento. Ela conta que ficou com o corpo arroxeado da cintura para baixo e só foi salva após intervenção do médico que anteriormente, havia a examinado com informações da equipe de residentes.

“Nossa filha nasceu saudável e perfeita, mas não resistiu devido aos erros dos residentes. O laudo do IML confirmou: Ayanna não tinha nenhum problema de saúde. O pior dia de nossas vidas: 05.09.2025 às 4h52min. Nosso sonho virou um pesadelo, nossa alegria virou tristeza. Meu marido que esteve sempre comigo, não largou minha mão”, disse.

O que diz a maternidade?

Em nota, a Maternidade Darcy Vargas esclareceu que a paciente era acompanhada no ambulatório de gestação de alto risco da unidade. Após consulta, foi encaminhada ao setor de emergência, onde recebeu avaliação e os devidos encaminhamentos, sendo posteriormente internada.

“A evolução do caso resultou em parto normal, com todos os cuidados assistenciais prestados pela equipe multiprofissional”.

A nota confirma o óbito do recém-nascido e afirma que a direção da unidade prestou suporte à família, com acompanhamento psicológico e apoio assistencial. A maternidade também expressou pesar pelo ocorrido e informou que o caso está sob análise com “seriedade e rigor técnico” pelo núcleo de segurança do paciente.

Comissão de saúde

Depois da repercussão do caso, a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Joinville aprovou nesta quarta-feira (10) uma audiência pública para discutir denúncias de negligência em partos em Joinville, que será realizada no dia 29 de setembro.

O objetivo é ouvir a comunidade, especialmente famílias que relatam situações de negligência em partos, e, com base nos depoimentos, fiscalizar os serviços prestados e cobrar melhorias necessárias para garantir segurança e qualidade no atendimento.

Segundo o Vereador Pastor Ascendino Batista, o assunto exige atenção. “É de conhecimento de todos o empenho e o serviço que a maternidade tem prestado à nossa cidade. No entanto, também é de conhecimento de todos que casos como esse, infelizmente, já vieram à tona em outros momentos. Precisamos ouvir a população e agir para que situações assim não se repitam”.

A audiência pública será realizada no dia 29 de setembro, às 19h30, no Plenário da Câmara de Vereadores de Joinville.

Conteúdo: NDMAIS

João Vianna

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *