Polícia Civil conclui e avança em 14 investigações de crimes sexuais no Planalto Norte
A Polícia Civil de Santa Catarina avançou, nos últimos dois meses, em pelo menos 14 casos e investigações relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes na região da Delegacia Regional de Mafra. A área de abrangência inclui os municípios de Mafra, Monte Castelo, Papanduva e Itaiópolis.
Atuação em múltiplas frentes investigativas Os procedimentos mostram diferentes frentes de atuação da Polícia Civil, desde a coleta de provas periciais e digitais até interrogatórios, depoimentos especiais, pedidos de prisão preventiva, medidas protetivas e encaminhamento dos inquéritos ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Entre os casos, há investigações que resultaram no indiciamento de suspeitos, enquanto outras permanecem em andamento. Também houve procedimentos nos quais a apuração não encontrou elementos suficientes para confirmar a ocorrência de crime.
Casos na região de Mafra, Papanduva e Itaiópolis Em Papanduva, a Polícia Civil instaurou investigação após o Conselho Tutelar e a rede escolar comunicarem a aproximação indevida entre um homem de 43 anos e uma adolescente de 13 anos. Foram realizadas oitivas de familiares e testemunhas, interrogatório do investigado e encaminhamento para produção antecipada de prova por meio de depoimento especial da vítima. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário para as próximas etapas.
Em Itaiópolis, uma investigação sobre estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos terminou com o indiciamento de um homem de 29 anos. Segundo a apuração, ele era vizinho da família e teria aproveitado momentos em que a adolescente se deslocava para a escola para praticar os abusos. A investigação reuniu mensagens telefônicas, imagens de monitoramento, depoimentos e laudo médico-legal que confirmou conjunção carnal. O inquérito foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público.
Outro caso no município envolveu a importunação sexual de uma jovem de 21 anos em uma farmácia no Centro. Conforme o procedimento, um homem de 57 anos teria segurado a atendente contra a vontade dela e tentado beijá-la enquanto os dois estavam em uma sala reservada. Arquivos de áudio e vídeo, além de depoimentos, foram reunidos pela investigação, que terminou com o indiciamento do suspeito. Em Papanduva, outro inquérito apurou o estupro de vulnerável contra uma adolescente de 16 anos com atraso no desenvolvimento mental. Segundo a investigação, um homem de 25 anos, natural de Mafra, teria conhecido a vítima pelas redes sociais e marcado um encontro. A Polícia Civil reuniu laudos da Polícia Científica, depoimentos, relatórios médicos e o interrogatório do suspeito. O procedimento foi concluído e remetido ao Judiciário e ao Ministério Público.
Investigações periciais e casos de grande abrangência Em Itaiópolis, a Polícia Civil também concluiu uma investigação sobre uma denúncia de estupro de vulnerável envolvendo fatos que teriam ocorrido em 2014. A vítima, que tinha 14 anos à época, apresentou uma versão dos acontecimentos, enquanto o investigado negou a violência sexual e afirmou que teria mantido apenas um relacionamento consensual de beijos. Como mais de uma década havia se passado desde os fatos, a realização de perícia direta ficou inviabilizada. Foram realizadas três oitivas audiovisuais e produzido relatório conclusivo sem indiciamento. O procedimento foi remetido à Justiça com manifestação pelo arquivamento, para deliberação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Em Mafra, no bairro Jardim América, a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami) investigou uma denúncia de estupro de vulnerável envolvendo uma menina de 8 anos. Conforme os elementos reunidos, o suspeito, de 43 anos, era companheiro da avó materna da criança. A investigação contou com exame pericial, análise de mensagens de voz, interrogatório do investigado e solicitação judicial de depoimento especial. O homem negou as acusações e o inquérito permanece em andamento.
Outro procedimento em Monte Castelo apura denúncias de abusos sexuais e ameaças no ambiente doméstico contra uma vítima menor de idade. Segundo a Polícia Civil, o investigado, de 50 anos, seria padrasto da vítima e teria utilizado ameaças para impedir que os fatos fossem revelados. Foram realizados interrogatório, três oitivas e juntada de documentos ao inquérito, que segue em andamento.
Em Mafra, uma investigação conduzida pela Dpcami também resultou em medidas judiciais contra um homem de 49 anos suspeito de crimes sexuais em contexto doméstico. De acordo com a investigação, os elementos reunidos apontaram para um contexto de intimidação e gravidade das condutas. O procedimento resultou em mandado de prisão preventiva, busca e apreensão para coleta de material biológico e exame genético, além da determinação de produção antecipada de prova oral e depoimento especial.
Em Papanduva, outro inquérito envolve uma adolescente estrangeira de 14 anos. A investigação começou após a comunicação do nascimento de uma criança cuja mãe era adolescente. Durante as diligências, a Polícia Civil identificou que a jovem, de nacionalidade haitiana, havia chegado ao Brasil em dezembro de 2025 já grávida e dado à luz no início de 2026. Os documentos analisados indicaram que a concepção teria ocorrido antes da entrada no País. O procedimento foi encaminhado para definição da competência jurisdicional.
Em Itaiópolis, uma ocorrência inicialmente tratada como possível sequestro envolvendo uma adolescente de 12 anos revelou, durante as diligências, uma investigação de estupro de vulnerável. A jovem foi localizada na residência de um rapaz de 18 anos. Após o aprofundamento da apuração, a Polícia Civil apreendeu um celular para perícia e solicitou a realização de depoimento especial da vítima.
Abusos intrafamiliares em Monte Castelo Um dos procedimentos de maior abrangência ocorreu em Monte Castelo, onde a Polícia Civil concluiu uma investigação sobre uma série de abusos intrafamiliares. Segundo a apuração, um homem de 61 anos teria cometido atos libidinosos contra crianças e adolescentes do mesmo núcleo familiar durante diferentes períodos. Ao todo, seis vítimas foram ouvidas e acolhidas de forma especializada. O investigado foi localizado, qualificado e interrogado, e a Polícia Civil concluiu o relatório sobre autoria e temporalidade dos fatos. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.
A atuação policial também resultou no esclarecimento de uma denúncia que não confirmou a ocorrência de violência sexual. Em Itaiópolis, uma menina de 3 anos foi encaminhada para investigação após profissionais de uma creche identificarem vermelhidão na região genital durante a troca de fraldas. O exame realizado pela Polícia Científica não encontrou lesões ou vestígios de violência sexual. Os depoimentos indicaram que a irritação era decorrente de assadura causada pelo uso temporário de fraldas menores. Após sete oitivas e a conclusão do laudo pericial, o procedimento foi encaminhado ao Judiciário com parecer pelo arquivamento.
Por fim, em Papanduva, a Polícia Civil investiga uma tentativa de estupro de vulnerável envolvendo uma menina de 11 anos. Conforme os depoimentos, o suspeito, de 23 anos e padrasto da vítima, teria tentado constrangê-la a praticar atos libidinosos. O caso resultou em medidas protetivas de urgência previstas na Lei Henry Borel, afastamento do investigado do lar e proibição de aproximação e contato com a vítima. O inquérito segue em andamento.
Canais de denúncia e importância da sociedade Os casos evidenciam diferentes etapas do trabalho da Polícia Civil, que vão desde o recebimento das denúncias e atuação conjunta com a rede de proteção até a realização de perícias, coleta de provas, interrogatórios, proteção das vítimas e encaminhamento dos procedimentos à Justiça. A instituição reforça a importância da denúncia em situações de suspeita de violência contra crianças e adolescentes, lembrando a disponibilidade de canais como o Disque 100 e o Disque-Denúncia 181, além das unidades policiais.
