Raio-X da Política
Calmaria no plenário… ou silêncio antes do barulho?
Esta semana estive na Câmara de Vereadores de São Bento do Sul e, para frustração de quem vive de roteiro dramático na política local, o clima por lá anda… civilizado. Nada de guerra fria escancarada, cadeiras rangendo ou discursos com temperatura de panela de pressão. Claro, ninguém aqui caiu do caminhão de mudança: nos bastidores há estratégia, cochicho e aquela queda de braço educada entre Executivo e presidência do Legislativo. Política sem tensão não existe às vezes só troca o volume pelo sussurro.
Troca de notas, recados nas entrelinhas
Apesar do verniz institucional, as notas oficiais trocadas entre os dois poderes não soam exatamente como declarações de amor. E como ensina a sabedoria popular, onde há fumaça… geralmente tem alguém abanando. Convém investigar antes que o incêndio vire coletiva de imprensa.
Aniversário sem selfie política
Na terça-feira (10), a vereadora Zuleica Voltolini comemorou aniversário. Cumprimentei a parlamentar e testemunhei algo quase em extinção no ecossistema político: trabalho social sem transmissão ao vivo. Zuleica segue fazendo sem precisar transformar cada gesto em outdoor. Em tempos de política performática, discrição virou ato revolucionário.
Do discurso ao tijolo: promessa vira projeto
O EMHAB avançou com a aprovação para alienação de uma área superior a 134 mil metros quadrados ao governo federal, com meta de viabilizar 130 moradias populares na Serra Alta. Quando o assunto é casa própria, discurso bonito precisa virar parede, telhado e chave na mão. Tijolo ainda é o melhor argumento.
Quando a rua é das pessoas, não dos carros
A Rua de Lazer voltou, das 14h às 18h, ocupando a Barão do Rio Branco e a Travessa Jorge Zipperer. Menos buzina, mais conversa. Às vezes, a política pública mais eficiente não tem palanque — tem gente caminhando.
Fila cheia, cadeiras vazias
Em janeiro de 2026, São Bento do Sul realizou 1.382 exames. Desses, 780 tiveram ausência de pacientes. A conta não fecha só abrindo mais vagas; responsabilidade também entra no orçamento moral. Avisar que não vai é gesto pequeno, prejuízo grande quando falta.
O básico que ainda surpreende
Campo Alegre entregou uniformes de verão para todos os alunos da rede municipal. Parece simples e justamente por isso merece registro. No Brasil, o simples funcionando ainda é notícia.
Contra a dengue, não basta discurso
Papanduva iniciou a vacinação contra a dengue para jovens de 10 a 14 anos. A vacina ajuda, mas o mosquito não respeita decreto. Sem cuidado diário, campanha vira só cartaz colorido.
Território em disputa, autonomia em jogo
O prefeito Sirineu Ratochinski formalizou pedido de municipalização de área urbana antes ligada ao antigo DNIT, no distrito de Residência Fuck. Movimento estratégico: transformar ocupação parcial em domínio definitivo pode significar autonomia, investimento e quem sabe menos papelada carimbada em outras cidades.
Do WhatsApp à tribuna: política com print
Em Santa Terezinha, a política escapou do plenário e quase pediu moderação de grupo de WhatsApp. O vereador Laércio Batista (PSD) levou tema sensível para fora da arena institucional, mirando Pascoal Schultz (PL), que respondeu da tribuna. Moral da história: cada palco tem seu eco e alguns prints.
Quando o interior fala, o poder precisa ouvir
A prefeita Valquíria Schwarz, o vice Moisés, o secretário Idalino e a Epagri reuniram agricultores no Craveiro. Calcário, equipamentos e políticas públicas entraram na conversa. Quando o interior fala, a cidade deveria escutar sem interromper.
Cronômetro na tribuna, pressa nos discursos
Em Santa Terezinha, a Palavra Livre ganhou limite: 10 minutos, mais 1 para considerações finais, decisão do presidente Cláudio Drozdek (PT). Sessões mais curtas, discursos mais objetivos. Em tempos de fala longa e resultado curto, pode ser avanço ou economia de café.
Temporada de visitas… e de votos no horizonte
Santa Terezinha vive fase turística parlamentar. Nunca se viu tanta visita de deputados e assessores em pouco mais de um ano. Claro, todos muito preocupados com investimentos… e, coincidentemente, com votos futuros. No fim das contas, a estrada do recurso quase sempre passa pela urna.

