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Raio-X da Política

Raio-X da Política

A cidade é quem perde

Na política, quando alguém deixa um cargo, sempre há quem comemore. A pergunta é: quem realmente ganha? A saída da vereadora Terezinha Dybas (PSD) da Câmara de São Bento do Sul escancarou que, nos bastidores, a disputa por espaço continua sendo mais intensa que a discussão dos problemas da cidade. Depois da conversa com o prefeito Tomazini, ficou evidente que a permanência da vereadora já incomodava mais do que deveria o ego de alguns. Nos corredores, havia mais interesse em reorganizar o tabuleiro político do que em preservar uma parlamentar reconhecida pela atuação. Quem acredita que eliminar um adversário resolve um problema normalmente descobre, mais cedo ou mais tarde, que apenas criou outro.

Vai voar

Se havia quem imaginasse que Terezinha Dybas desapareceria do cenário político, talvez seja hora de recalcular a estratégia. Na Câmara, sempre ocupou espaço próprio. Não precisava levantar a voz para ser ouvida nem ocupar cargos para aparecer. Agora, como pré-candidata a deputada federal, troca apenas o tamanho da arena. Na política, alguns confundem silêncio com derrota. Às vezes é apenas o barulho da pista antes da decolagem.

Moção de apelo

A sessão da Câmara de São Bento do Sul, reservou um daqueles episódios que a política brasileira coleciona com certa criatividade. A bancada do PL preferiu se abster da moção apresentada pelo vereador Diego Niespodzinski (MDB), pedindo um redutor de velocidade na SC-418, sob o argumento de que não seria adequado pressionar o Governo do Estado. Já quando o assunto é Brasília, cobrar é obrigação. Quando o endereço muda para Florianópolis, a pressão vira deselegância institucional. Coerência continua sendo um artigo difícil de encontrar no mercado político.

Falando em implicância…

Campo Alegre também descobriu que sucesso incomoda. Como não encontraram defeito no Festival de Inverno, resolveram transformar o cachê da dupla Munhoz & Mariano em assunto de Estado. Os R$ 228 mil pagos pelo município rapidamente viraram combustível para críticas. O problema é que uma simples consulta mostra apresentações da mesma dupla custando R$ 270 mil em Bombinhas, R$ 280 mil em Guaratuba, R$ 245 mil em Colniza (MT) e R$ 230 mil em Santa Bárbara (MG). Quando os números não ajudam a narrativa, resta torcer para que a festa dê errado. Felizmente, a realidade costuma ser menos dramática que certos discursos.

Jaciara Machuga

A pré-candidata a deputada estadual Jaciara Machuga (PT) vem ampliando seu espaço político com presença constante em eventos nacionais ao lado do presidente Lula. O mais curioso é ouvir lideranças de outras regiões perguntarem de qual grande cidade ela veio. Quando descobrem que é de São Bento do Sul, a surpresa é inevitável. A política ainda insiste em acreditar que protagonismo nasce apenas nas capitais. Às vezes ele aparece justamente onde poucos estão olhando.

Show do Milhão

Terça-feira foi dia de sorriso largo na Prefeitura de Papanduva. Segundo o prefeito Tafarel Schons, somente naquele dia mais de R$ 5 milhões chegaram aos cofres municipais. Outros recursos ainda devem desembarcar nos próximos dias. Enquanto alguns contam curtidas nas redes sociais, há prefeito preferindo contar convênios assinados.

Jefinho

O ex-prefeito de Papanduva Jeferson Chupel, o Jefinho (PSD), deve deixar a assessoria parlamentar que ocupa na Assembleia Legislativa para mergulhar definitivamente na pré-campanha a deputado estadual. Os apoios começam a surgir e mostram que sua influência política permanece viva. Há quem saia da prefeitura e desapareça. Há quem saia e continue sendo lembrado em praticamente todas as conversas sobre eleição.

Podemos

Em Papanduva, Neco Ratochinski assumiu a presidência municipal do Podemos. Conhecido pelo bom relacionamento com diferentes setores da comunidade, chega para organizar a legenda justamente num período em que partidos precisam crescer mais nas ruas do que nos grupos de WhatsApp.

Boa anfitriã

A prefeita Valquíria Schwarz tem adotado uma postura cada vez mais rara na política. Recebe deputados e lideranças estaduais independentemente da cor da bandeira partidária. A lógica parece simples: recurso não tem partido, asfalto não vota e ambulância não pergunta em quem o paciente votou. Quem administra pensando assim normalmente amplia as chances de trazer investimentos.

Oscar Gutz

Pode haver divergências partidárias, mas uma coisa é difícil contestar. O deputado Oscar Gutz (PL) tornou-se presença constante em Santa Terezinha e entregou recursos que hoje são reconhecidos inclusive por adversários políticos. Na Câmara durante uma sessão, o vereador Jonas Wojciechowski resumiu bem ao afirmar que o deputado “parece um morador da cidade”. Na política, promessa rende manchete. Entrega rende voto.

Cidadão Terezinhense?

Nos bastidores já circula a ideia de conceder a Oscar Gutz o título de Cidadão Terezinhense. A proposta ainda não está oficialmente na pauta, mas revela o reconhecimento de parte das lideranças pelo volume de investimentos destinados ao município. Homenagens costumam dividir opiniões, mas é importante reconhecer quem faz.

Jerry Comper

Quem também chega forte para a próxima eleição é Jerry Comper (MDB). Depois de liderar a votação em Santa Terezinha na eleição estadual passada, volta contando com um cabos eleitorais experientes: o ex-prefeito Genir Junckes e o ex-vereador Madruga. Genir e Madruga, representam uma escola política que anda cada vez mais rara. Menos postagem, mais conversa. Menos vídeo de trinta segundos, mais aperto de mão. No fim das contas, a urna ainda continua sendo analógica. Ela registra voto, não curtida. Isso facilita pra Jerry ter discurso forte no municipio e na região, já que vai ter quem prepare o terreno.

João Vianna

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