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Raio-X da Política

Raio-X da Política

O veredito das urnas

Neste domingo, o Brasil vai às urnas dividido em metades quase cirúrgicas. Lula ou Flávio Bolsonaro? Com pesquisas cravando empate técnico na margem de erro, qualquer cartomante de plantão corre sério risco de passar vergonha. A decisão não virá dos institutos, mas do comparecimento e do silêncio de quem decide na cabine de votação.

A juventude como motor

Não há miopia que esconda: o grande ativo eleitoral de Lula nesta reta final tem sido a mobilização de uma juventude barulhenta que tomou as ruas, reeditando um fervor cívico que há tempos não se via com tanta intensidade. Se esse entusiasmo vai se traduzir em votos válidos ou se ficará restrito à estética das passeatas, saberemos no apagar das luzes de domingo.

O peso da herança conservadora

Do outro lado, Flávio Bolsonaro cristaliza a fúria e o pragmatismo do eleitorado conservador que exige a todo custo a alternância de poder. Mais do que um sobrenome, Flávio carrega a expectativa messiânica de uma base que não perdoa fraquezas nem aceita moderação. Vencendo, sua lua de mel com o país não durará vinte e quatro horas: a cobrança por resultados práticos será implacável.

Enquanto isso no legislativo…

Enquanto Brasília ferve, o xadrez da presidencia do legislativo de São Bento do Sul antecipa as dores de cabeça do prefeito Antonio Tomazini. Zuleica Voltolini (PP) articula a chapa da oposição, enquanto Joelmir Bogo (UB) tenta consolidar o bloco governista.

Estrategistas

Ao baterem cabeça, os estrategistas do paço acabam de dar palanque de ouro para nomes como Diego da Academia (MDB), Cátia Friedrich (PSD), a própria Zuleica (PP) e o presidente da casa Gilmar Pollum (PL). É a máquina pública trabalhando, involuntariamente, para forjar seus próprios carrascos para a chapa majoritária de 2028 com o Dr. Tirso observando atentamente cada tropeço.

O pesadelo da Avenida São Bento

A narrativa oficial da prefeitura tenta pintar a modernização urbana da cidade como exemplar, mas a realidade bate à porta com tinta técnica. O contundente relatório assinado pelo arquiteto Ruben Pereira, do Núcleo de Desenvolvimento Urbano da ACISBS, coloca em xeque a execução da Avenida São Bento, apontando-a como um dos maiores desastres de engenharia e mobilidade da história recente do município. O dossiê tem fôlego e destino certo: Ministério Público e Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC). Para os lojistas, motoristas e moradores que já amargam meses de caos e prejuízos, o discurso oficial não pavimenta soluções.

Cifrões em Papanduva

Em Papanduva, o prefeito Tafarel Schons joga as fichas na vitrine de um “Show do Milhão”. O anúncio de investimentos vultosos em obras de infraestrutura para o próximo ano não é mera benevolência administrativa: é cálculo puro com foco cirúrgico na reeleição de 2028. Tafarel sabe que quem não exibe asfalto e canteiro de obras no retrovisor recente raramente sobrevive ao teste das urnas.

As divisas e o asfalto regional

O plano de Tafarel de asfaltar a Serra do Pinheiro Seco colide com os passos do prefeito de Monte Castelo, Sirineu Ratochinski, que articula via programa Estrada Boa Rural a ligação da BR-116 (no Rancho Grande) ao mesmo trecho. Ratochinski não disputa apenas máquinas e recursos: trava nos bastidores uma ruidosa batalha territorial para corrigir o traçado da divisa entre os municípios, alegando que terras historicamente pertencentes a Monte Castelo foram repassadas de forma indevida a Papanduva. A luta de Sirineu, promete faíscas nos tribunais geográficos do estado.

35 anos em dois: o trator de Santa Terezinha

Em Santa Terezinha, a prefeita Valquiria Schwarz assumiu uma aposta nada arriscada, com enorme chanches de sucesso: entregar em apenas dois anos mais quilômetros de pavimentação do que o município viu em seus 35 anos de emancipação. O ritmo acelerado impressiona já para 2027 e pode consolidá-la como um marco divisor na história local, fortalecendo o front político da alcaide.

Já na Casa de Leis…

A oposição na Câmara Municipal acordou, subiu o tom e tem encurralado a administração com cobranças duras e fiscalização cerrada. O problema de Valquiria não é o ímpeto dos adversários, mas a tibieza de seus próprios aliados: a bancada de sustentação prefere o silêncio covarde e discursos protocolares em vez de blindar o governo com dados, relatórios e teses consistentes. Em política, obras garantem votos, mas base fraca na Câmara derruba governos.

 

João Vianna

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