Robson Rodrigues encara novos personagens em produções de cinema gravadas em Mafra e Joinville
Ator integra “Ruído de Deus”, rodado em Mafra, e “Cardumes Canibais”, vídeo-arte experimental gravada na Univille, em Joinville
O ator Robson Rodrigues, do Ponto de Cultura Associação Multicultural Panaceia – Teatro e Cinema, está envolvido em duas novas produções cinematográficas catarinenses que apresentam propostas e linguagens distintas. Os trabalhos foram realizados em diferentes cidades da região: “Ruído de Deus”, curta-metragem de ficção gravado em Mafra, e “Cardumes Canibais”, vídeo-arte experimental gravada na Univille, em Joinville.
Apesar das diferenças entre as duas obras, existe um ponto de ligação entre elas: ambas são orientadas por Iveraldo Carlos Machado Junior, o Ive Machado, professor e profissional ligado à formação cinematográfica.
Para Robson, a participação representa mais uma oportunidade de experimentar diferentes possibilidades de interpretação e reafirma sua relação com o cinema e a sétima arte.
“Ruído de Deus”: um personagem marcado pela estrada
Gravado em Mafra, “Ruído de Deus” é um curta-metragem de ficção dirigido por Gustavo Gomes.
A história acompanha um fazendeiro que vive isolado em um sítio e tem como principal contato com o mundo exterior as vozes que chegam por meio de um antigo rádio. Em um contexto de crescente instabilidade política e social, o encontro inesperado com um andarilho provoca uma ruptura na rotina do personagem e o leva a questionar suas próprias convicções.
É justamente esse andarilho que Robson Rodrigues interpreta.
O personagem é um homem marcado pela estrada, pelos encontros e pelas experiências acumuladas ao longo da vida. Sua chegada estabelece um contraponto com o universo fechado do fazendeiro e desencadeia parte importante dos acontecimentos da narrativa.
O fazendeiro é interpretado pelo ator joinvilense Vinícius Ferreira, integrante da Dionísio Teatro e amigo de Robson.
A preparação de elenco de “Ruído de Deus” é assinada por Rafaela Narciso, com orientação de Ive Machado.
Para Robson, a construção do andarilho representa mais uma possibilidade de investigar um personagem a partir do corpo, do olhar, da presença e das experiências que ele carrega consigo.
“Cardumes Canibais”: experimentação e linguagem cinematográfica
Em Joinville, a experiência foi outra. Na Univille, Robson participou das gravações de “Cardumes Canibais”, uma vídeo-arte experimental dirigida por Beatriz Cordeiro, a Bibs Cordeiro.
A obra utiliza a metáfora dos peixes para abordar relações marcadas por desejo, posse e controle, trazendo para a linguagem experimental questões relacionadas ao machismo e às estruturas de poder presentes em relacionamentos possessivos.
A produção trabalha com imagens simbólicas, corpos e elementos ligados ao universo dos peixes, utilizando a força da imagem e da experimentação como recursos narrativos.
O elenco reúne Robson Rodrigues, Elita Venâncio, Alexandra Meinchein, Adriana Machado, Carlos Müller, Laura Cavichioli e Victor Rosa.
A preparação de elenco é assinada por Duda Ramos, também com orientação de Ive Machado.
Para Robson, a experiência amplia as possibilidades de atuação diante da câmera, especialmente por se tratar de uma obra que não segue necessariamente os caminhos tradicionais da narrativa cinematográfica.
Dois trabalhos, dois personagens e diferentes formas de atuar
Embora tenham em comum a orientação de Ive Machado, “Ruído de Deus” e “Cardumes Canibais” apresentam propostas bastante diferentes.
Em Mafra, Robson constrói um personagem dentro de uma narrativa ficcional, em que o andarilho estabelece uma relação direta com o conflito dramático do filme.
Em Joinville, na Univille, o ator participa de uma experiência de vídeo-arte na qual a presença, o corpo e a imagem dialogam com símbolos e metáforas.
São desafios diferentes para o mesmo ofício.
A atuação, para Robson Rodrigues, passa pela investigação de cada personagem: compreender sua história, seus silêncios, seu corpo, seus gestos e aquilo que ele pode revelar diante da câmera. É nesse processo de descoberta que o ator encontra novas possibilidades de criação.
A participação nas duas obras também evidencia a diversidade da produção cinematográfica realizada em Santa Catarina e a possibilidade de atores circularem por diferentes propostas dentro da sétima arte.
Com uma trajetória construída entre teatro, cinema, formação artística e produção cultural, Robson segue ampliando sua presença diante das câmeras e aceitando personagens que o desafiam a experimentar novas formas de interpretação.
De Mafra a Joinville, do curta-metragem de ficção à vídeo-arte experimental, são dois trabalhos diferentes, dois universos de criação e duas experiências de atuação.
Para Robson Rodrigues, permanece o mesmo compromisso: estar em cena, construir personagens e continuar fazendo do cinema um espaço de encontro, criação e expressão.

