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Tomazini questiona vereador Diego Niespozinski a respeito de um vídeo publicado pelo parlamentar nas redes sociais

Tomazini questiona vereador Diego Niespozinski a respeito de um vídeo publicado pelo parlamentar nas redes sociais

Para quem acredita que na cidade dos Móveis, da Música e do Folclore tudo anda às mil maravilhas, talvez esteja na hora de sair um pouco do gabinete e dar uma volta pela cidade. Porque, dependendo de onde se olha, a realidade parece ser bem diferente daquela apresentada nos discursos oficiais.

A Administração Municipal de São Bento do Sul vem colecionando críticas. E o mais curioso é que muitas delas parecem fazer uma longa viagem antes de chegar aos ouvidos do prefeito Antônio Tomazini. Passam por filtros, atalhos, interpretações e, sabe-se lá por quantas mãos, até finalmente desembarcarem no gabinete.

Um episódio recente ilustra bem essa situação.

Chegou ao nosso conhecimento que o prefeito Tomazini nesta quarta-feira 26 ao meio-dia, teria questionado o vereador Diego Niespozinski (MDB) a respeito de um vídeo publicado pelo parlamentar nas redes sociais sobre o andamento das obras de pavimentação da Estrada Cruzeiro, no bairro Cruzeiro que segundo o parlamentar no video de um sonho virou um pesadelo para os moradores. Sem falar que em Serra Alta, lideranças do bairro também foram cobradas por se manifestar sobre o andamento das obras da rua Mathias Nossol.

Fomos ouvir o vereador para confirmar a história. Diego contou que estava almoçando em um restaurante quando, por uma dessas coincidências da vida, o prefeito entrou no estabelecimento acompanhado de integrantes do governo municipal.

A surpresa veio quando o prefeito se dirigiu à mesa do vereador e perguntou sobre o vídeo.

Diego, então, teria perguntado se o prefeito havia assistido à publicação. A resposta foi que não. Mas, ao mesmo tempo, o prefeito demonstrava ter conhecimento do conteúdo e das informações apresentadas.

Ora, se não viu o vídeo, alguém viu por ele.

E aí está o detalhe que merece atenção: quem está levando as informações ao prefeito e, principalmente, de que maneira elas estão chegando?

Porque existe uma enorme diferença entre informar o chefe do Executivo e contar a ele apenas aquilo que convém. No primeiro caso, temos gestão. No segundo, temos filtro.

E, quando o filtro é grande demais, o prefeito corre o risco de governar uma cidade que existe apenas dentro das paredes do gabinete.

Enquanto isso, lá fora, estão os moradores, comerciantes, trabalhadores e motoristas enfrentando os problemas reais.

São Bento do Sul é uma cidade de economia forte, gente empreendedora e trabalhadores que não costumam esperar o governo resolver tudo. Mas justamente por isso merece uma Administração à altura de sua população.

Não é razoável que importantes vias permaneçam envolvidas em problemas de obras, planejamento e execução, enquanto a discussão política parece ganhar cada vez mais espaço.

A Avenida São Bento, a Mathias Nossol e a Estrada Cruzeiro estão aí para quem quiser ver. E não estamos falando apenas de buracos ou transtornos passageiros. Estamos falando de comerciantes que precisam manter seus negócios funcionando, moradores que precisam circular e famílias que pagam seus impostos e esperam o mínimo: planejamento e respeito.

E fica uma pergunta incômoda: se os prejuízos causados pelas obras forem grandes demais, quem vai pagar essa conta?

O município já conhece esse filme. No caso do Posto 1, a Prefeitura teve que arcar com prejuízos decorrentes de problemas relacionados às obras. Imagine se comerciantes dessas três vias decidirem buscar judicialmente reparação pelas perdas que eventualmente comprovarem.

A conta pode ser bem mais salgada do que uma obra mal planejada.

Mas talvez o maior problema seja outro: São Bento do Sul não pode ser administrada olhando apenas para o calendário eleitoral.

A eleição estadual está aí, é verdade. Adesivo, fotografia, agenda política, apoio, candidato e articulação fazem parte do jogo. Mas enquanto alguns parecem estar pensando na eleição de 2026, os moradores das três vias estão pensando em algo bem mais simples: quando o problema será resolvido?

A população não quer saber de quem é a culpa.

Quer a rua pronta.

Quer poder circular.

Quer saber quando a obra termina.

E, principalmente, quer ser ouvida.

Porque eleição passa. Obra fica. E, se a obra ficar parada, a lembrança também fica.

No fim das contas, talvez esteja faltando menos filtro no gabinete e mais contato com a realidade das ruas.

Porque administrar uma cidade não é receber somente as boas notícias.

É justamente ter coragem de ouvir as ruins antes que elas cheguem pelas redes sociais, pelos vereadores, pelos comerciantes e, finalmente, pelas urnas.

São Bento do Sul merece mais do que uma cidade que parece estar bem nos relatórios. Merece uma cidade que esteja bem na vida real.

João Vianna

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