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Lula vai convidar Trump e Milei para a posse mesmo sem cumprimentos

Lula vai convidar Trump e Milei para a posse mesmo sem cumprimentos

O presidente reeleito Lula (PT) decidiu enviar convites formais para a sua cerimônia de posse, marcada para o dia 5 de janeiro, a dois mandatários internacionais que ainda não lhe enviaram congratulações pela vitória: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei.

Estratégia diplomática em curso

A iniciativa tem como propósito realizar “um aceno político de superação das diferenças políticas”, conforme apontado por fontes de bastidor. No entanto, o gesto ocorre em meio a um cenário de fortes atritos verbais recentes entre os líderes.

Na véspera do anúncio, Donald Trump declarou que o pleito brasileiro representou “uma grande vergonha para o povo do Brasil” e classificou o processo como “uma desgraça”, sem apresentar evidências. Dias antes, o líder americano já havia insinuado que “parecia mais uma eleição fraudada”, embora tenha feito a ressalva de que “Eu gosto de Lula, eu me dou bem com ele”.

Tensões com a Argentina

Por sua vez, o cenário com a Argentina apresenta um histórico ainda mais ríspido. Durante evento realizado em Washington no mês de outubro, ao lado de aliados políticos brasileiros, Javier Milei referiu-se a Flávio Bolsonaro como “meu querido amigo” e afirmou publicamente ter certeza da derrota do que chamou de “ditador comunista Lula da Silva”. Na disputa do segundo turno, Flávio acabou derrotado por Lula, que obteve 51,79% dos votos válidos contra 48,21%.

Expectativas do governo brasileiro

A alteração na data da posse para o dia 5 de janeiro, aprovada pelo Congresso Nacional, foi estruturada exatamente com o intuito de ampliar a presença de autoridades estrangeiras. Antes da solenidade, o presidente brasileiro poderá ter encontros bilaterais com os homólogos durante a Cúpula do Mercosul e a reunião do G20 em dezembro, ocasiões em que o convite deverá ser reforçado pessoalmente.

A avaliação interna do governo brasileiro difere em relação aos dois convidados. A gestão federal demonstra ceticismo quanto a uma melhoria imediata no relacionamento com a administração argentina, especialmente devido ao calendário eleitoral no país vizinho no próximo ano.

Em contrapartida, a diplomacia brasileira mantém uma perspectiva otimista em relação aos Estados Unidos. A projeção do Planalto é de que, após as eleições legislativas de meio de mandato norte-americanas, o republicano adote uma linha mais pragmática. Com isso, o governo federal pretende destravar ainda neste ano negociações voltadas à redução de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a mercadorias brasileiras. Até o momento, nenhum dos dois governos estrangeiros se manifestou oficialmente sobre o convite recebido.

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