Seminário em Urubici debate a saúde mental de educadores
A cidade de Urubici tornou-se o centro de um debate essencial nesta quinta-feira (5), ao sediar o 1º Seminário Cuidando de Quem Ensina. O evento, organizado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), por meio da Comissão de Educação e Cultura e da Escola do Legislativo, teve como objetivo central promover o bem-estar e o equilíbrio emocional dos profissionais que compõem a rede de ensino.
Engajamento e foco na realidade escolar
A iniciativa, que nasceu de uma proposta do deputado Tiago Zilli (MDB), superou as expectativas de adesão, contando com quase 500 inscritos entre professores, gestores e servidores. O parlamentar ressaltou que a expressiva participação revela a urgência de tratar o tema diante das intensas exigências enfrentadas nas salas de aula.
O debate enfatizou que a docência vai além da transmissão de conhecimento, envolvendo o acolhimento constante de estudantes e o suporte às suas famílias. Zilli reforçou que o estresse faz parte do cotidiano desses trabalhadores e que é necessário criar espaços de trocas e novos conhecimentos.
Compromisso municipal e resultados no Ideb
O prefeito de Urubici, Leandro Corrêa (PSD), aproveitou a ocasião para reforçar as diretrizes de sua gestão em relação ao setor. Segundo o gestor, o cuidado com o educador deve ser uma política permanente e pautada no diálogo. Paralelamente, o município colhe frutos positivos na educação: o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos iniciais do ensino fundamental saltou de 5,9 em 2023 para 6,5 em 2025, um avanço de 10,2%.
Neurociência e o autocuidado
A programação técnica iniciou com a mestre em Neurociência, Larissa Renata de Oliveira, que explicou como as emoções impactam a capacidade de aprender. A especialista pontuou que o equilíbrio emocional é um pilar para o sucesso pedagógico. Sobre a preservação da saúde pessoal, ela destacou que os professores precisam reconhecer seus limites. “Para ela, o autocuidado não segue uma fórmula única e pode estar em atitudes simples, como reservar tempo para descansar, realizar atividades prazerosas e respeitar as próprias necessidades.”
Indicadores de alerta na docência
A psicóloga Kebny Secchi apresentou dados que evidenciam a fragilidade emocional da categoria. Entre os números expostos, 84% dos profissionais afirmaram sentir-se emocionalmente exaustos, enquanto 60,1% relataram sintomas de ansiedade. Além disso, 48,1% enfrentam cansaço excessivo e 41,1% possuem problemas de sono. O cenário é agravado pelo aumento de diagnósticos de depressão no Brasil, que saltaram de 10,9% para 14,5% entre 2020 e 2024, segundo o Ministério da Saúde.
A conclusão do encontro reafirma a necessidade de transformar essas discussões em práticas constantes de valorização humana, garantindo que o ambiente escolar seja um espaço saudável tanto para quem aprende quanto para quem ensina.

