Zé Trovão ataca Dr. Tirso, se complica em São Bento do Sul e dá mais um tiro no próprio pé
O deputado federal Zé Trovão (PL) conseguiu transformar uma passagem por São Bento do Sul em mais um episódio de desgaste político, confusão desnecessária e demonstração de absoluto despreparo para o debate público. Durante participação em um podcast no município, o parlamentar resolveu atacar o vice-prefeito Dr. Tirso (União Brasil) e acabou protagonizando uma cena que repercutiu mal nos bastidores, constrangeu aliados e escancarou o tamanho da sua dificuldade em compreender a realidade política do Planalto Norte.
Como diriam os mais jovens, Zé Trovão “se passou afu”. E se passou feio. Ao mirar em Dr. Tirso, o deputado não escolheu um adversário qualquer, mas sim um médico cardiologista respeitado, profissional que atua diretamente na linha de frente da saúde pública e hospitalar de São Bento do Sul, integrando a equipe da UTI do Hospital e Maternidade Sagrada Família e lidando diariamente com pacientes em estado grave. Além da atuação médica, Dr. Tirso é peça central no grupo político que elegeu o prefeito Dr. Tomazini e consolidou-se como uma das lideranças mais fortes do município.
Foi justamente aí que Zé Trovão mostrou, mais uma vez, que parece confundir barulho com liderança e agressividade com força política. Em vez de apresentar propostas, construir pontes ou demonstrar maturidade, preferiu investir contra um nome que tem serviço prestado, credibilidade e reconhecimento popular. O resultado foi desastroso: o deputado soou descontrolado, desproporcional e completamente desconectado do peso político e institucional de quem resolveu atacar.
Pior do que a crítica foi o contexto. Zé Trovão esteve reunido com o prefeito Dr. Tomazini e com o vereador Marcelo Quost (PL), ambos colocados em uma saia justa monumental diante da ofensiva contra o vice-prefeito. O episódio expôs um constrangimento público dentro do próprio campo político e levantou uma pergunta inevitável: como um deputado que pretende crescer na região consegue desembarcar em São Bento do Sul para criar atrito justamente com uma das principais lideranças da cidade? Se a intenção era fortalecer alianças, o efeito foi o oposto. Se o objetivo era marcar posição, o que ficou foi apenas a impressão de destempero e desorientação.
Nos bastidores, a avaliação é de que Zé Trovão conseguiu o improvável: piorar a própria situação em uma região onde já enfrenta dificuldades para consolidar base. O parlamentar, que nunca conseguiu se firmar com naturalidade no Planalto Norte, agora corre o risco de ampliar ainda mais a rejeição entre lideranças, apoiadores e eleitores que não aceitam esse tipo de ataque gratuito a quem trabalha, entrega resultado e mantém relação direta com a comunidade. Em política, há erros que custam caro. E esse tem tudo para entrar na conta de Zé Trovão como um dos mais desastrosos da sua caminhada rumo a 2026.
O problema para o deputado é que o cenário eleitoral está longe de ser favorável a aventuras e bravatas. Em São Bento do Sul e na região, há nomes em franca movimentação, com articulação, enraizamento e capital político real. A vereadora e advogada Terezinha Dybas (PSD) é pré-candidata a deputada federal. O ex-deputado estadual Silvio Dreveck trabalha para retornar à Assembleia Legislativa e segue sendo um dos nomes mais sólidos do Planalto Norte. O MDB, por sua vez, avança com a dobradinha formada por Emerson Maas, pré-candidato a deputado estadual, e Elói Quege, pré-candidato a deputado federal, ambos com o respaldo do ex-deputado Mauro Mariani, que continua influente na região e a ex-prefeita de Canoinhas Juliana Maciel (PL) que é pré candidata a deputada estadual. No campo do Progressistas, o próprio Dreveck aparece como “prata da casa” para a disputa estadual, devendo compor com um nome a federal.
Diante desse quadro, o que Zé Trovão fez em São Bento do Sul não foi um gesto de força foi um erro político primário. Um erro de quem parece não entender que o eleitor do Planalto Norte sabe diferenciar firmeza de grosseria, liderança de arrogância e posicionamento de oportunismo. Atacar Dr. Tirso, além de injustificável, foi um movimento burro do ponto de vista eleitoral. Em vez de ampliar espaço, o deputado fechou portas. Em vez de conquistar respeito, produziu rejeição. Em vez de sair maior, saiu menor.
No fim das contas, Zé Trovão foi a São Bento do Sul para tentar fazer política, mas acabou fazendo apenas barulho. E barulho, sozinho, não elege ninguém principalmente quando vem acompanhado de desequilíbrio, vaidade e falta de noção sobre onde pisa e com quem está mexendo.
